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Marco de Canaveses
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GNR do Marco de Canaveses faz Raio-X à segurança: violência doméstica e burlas online preocupam

Desde março de 2025 à frente do Posto Territorial da Guarda Nacional Republicana em Marco de Canaveses, o sargento-chefe Jorge Sousa traça um retrato da criminalidade no concelho, destacando a estabilização dos furtos, mas apontando a violência doméstica e as burlas digitais como os principais desafios atuais.

Redação

Assumiu o comando em março de 2025 e tem sob a sua responsabilidade um território marcado por contrastes, onde a tradição convive com o crescimento urbano. Jorge Sousa, comandante do Posto Territorial da GNR do Marco de Canaveses, faz um retrato detalhado da segurança no concelho, sublinhando uma criminalidade concentrada sobretudo na zona urbana e exigente do ponto de vista operacional.

A área de atuação do posto abrange onze freguesias e mais de 130 quilómetros quadrados, integrando realidades urbanas, periurbanas e rurais. “É um concelho com características muito distintas, o que obriga a uma adaptação constante do policiamento”, explica.

Se por um lado o Marco de Canaveses se afirma pelo património e pelas expressivas manifestações populares — como o Mercado Medieval de São Nicolau ou a Noite Verde —, por outro, o crescimento económico e a dinâmica da vida noturna exigem uma presença policial planeada e contínua.

“Por se tratar de um concelho em constante crescimento, o trânsito e a concentração de espaços de diversão noturna exigem especial atenção no planeamento e execução do policiamento preventivo”, sublinha o comandante.

Violência doméstica e furtos no topo das preocupações

De acordo com dados provisórios da GNR relativos a 2025, a criminalidade no concelho não se distribui de forma homogénea. As estatísticas apontam para 84 crimes de violência doméstica, 188 crimes de furto e 82 crimes de agressão.

A violência doméstica continua a ser uma das maiores preocupações da GNR local, não apenas pela frequência, mas pela complexidade associada. “Assume especial relevância, não só pela sua incidência, mas também pela sensibilidade social e legal envolvida”, refere Jorge Sousa, garantindo um reforço da articulação com a rede de apoio à vítima.

Outro fenómeno em crescimento são as burlas, em particular as associadas ao comércio digital. “Apesar das campanhas de sensibilização, o elevado número de transações online e a confiança excessiva nas plataformas virtuais tornam o combate a este tipo de crime um desafio permanente”, alerta.

Acessibilidades facilitam desenvolvimento, mas também riscos

Em comparação com concelhos vizinhos, o Marco de Canaveses aproxima-se mais das realidades de Penafiel e Amarante do que das zonas mais rurais do Tâmega e Sousa. A sua localização estratégica e as boas acessibilidades, nomeadamente a A4, impulsionam o desenvolvimento económico, mas trazem riscos acrescidos.

Segundo o comandante, a facilidade de acesso à capital de distrito é um “fator facilitador da deslocação de indivíduos ou grupos oriundos de outras regiões com o intuito de cometer ilícitos, como furtos ou tráfico de estupefacientes”.

Apesar disso, o número de furtos registado em 2025 mantém-se “em sintonia com os valores de 2024”, o que não dispensa uma vigilância apertada, sobretudo no comércio local. Aos comerciantes, a GNR deixa recomendações claras: “Implementação de medidas dissuasoras, como sistemas de videovigilância atualizados, reforço de portas e montras”.

Radares reduzem acidentes na EN 211

No domínio da segurança rodoviária, as Estradas Nacionais 211, 310 e 321-1 são identificadas como eixos prioritários de fiscalização. Embora não existam pontos negros formalmente identificados, o congestionamento na Ponte de Canaveses e os comportamentos de risco associados ao consumo de álcool e à condução noturna continuam sob vigilância.

Há, contudo, resultados positivos. “A instalação de novos radares de velocidade média permitiu reduzir o número de acidentes na EN 211, nomeadamente na variante entre Penafiel (Castelões) e Marco de Canaveses (Sobretâmega)”, destaca o comandante.