No âmbito do Dia Internacional da Mulher, assinalado a 8 de março, a empreendedora partilha o percurso que a levou até à criação de uma marca própria, marcada pela independência e pela convicção de que as mulheres podem construir o seu próprio caminho.
Natural da freguesia da Borba da Montanha, Marisa Marinho cresceu num ambiente rural, rodeada pela natureza e pela vida simples da aldeia. Filha de uma família ligada à agricultura, recorda uma infância diferente da realidade atual, marcada por rotinas mais simples e por uma forte ligação à comunidade. “A minha infância foi uma infância normal de uma criança na altura. Ia a pé para a escola e depois ajudava os meus pais na agricultura”, conta. “Cresci no meio da montanha, rodeada da natureza e dos vizinhos, que eram quase como família”.
Foi também nessa fase que nasceu a paixão pela moda. Muito magra em criança, tinha dificuldade em encontrar roupa que lhe assentasse bem e começou a desenhar as próprias peças. A mãe tinha uma máquina de bordar manual e, entre brincadeiras, surgiram as primeiras criações. “Sempre sonhei ser estilista. Como não encontrava roupa que me ficasse bem, comecei a desenhar pecinhas e a pedir à minha mãe para as fazer. Começou como uma brincadeira, mas depois ficou mais sério”, recorda.
O interesse foi crescendo e levou-a a seguir formação em design de moda, têxtil e calçado. A carreira começou no setor do calçado, onde trabalhou como designer durante cerca de quatro anos. Mais tarde passou para o design de moda, colaborando com empresas que produziam para marcas internacionais como a Zara, a Bershka ou a Stradivarius.
A experiência acumulada ao longo dos anos foi fundamental para desenvolver o seu próprio projeto. Durante algum tempo conciliou o trabalho em empresas com a criação de peças para a sua marca, até perceber que o crescimento das encomendas exigia uma decisão. “Chegou uma altura em que já tinha muitas encomendas e era impossível manter as duas coisas. Então decidi despedir-me e lançar-me por conta própria”, explica.

