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Paredes
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Com 19,8 de média, Ivo Costa garante: "Quero ser visto apenas como um bom aluno que se esforça"

Terminou o ensino secundário com média de 19,8 valores, no curso de Ciências e Tecnologias da Escola Secundária de Paredes. Aos 17 anos, natural e residente em Cete, Paredes, Ivo Costa já tem o futuro traçado: a Licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Redação

Apesar do percurso de excelência, mantém um perfil discreto. “Quero ser visto apenas como um bom aluno, que se esforça e se aplica a tirar bons resultados e depois faz muitas outras coisas na vida, que não vive só para a escola e para os livros", esclarece.

O percurso no secundário

Ivo admite que sempre acreditou que estaria entre os melhores. “Estava a contar que ia estar entre os melhores, porque até já recebi um diploma de melhor aluno, no final do ano, entregue pela Câmara de Paredes. Depois, no décimo primeiro também notava que as minhas notas eram as melhores dentro do panorama e este ano achava que ia ser igual”, assegura. 

A escolha do curso de Ciências e Tecnologias foi natural. O gosto pelas ciências, aliado à influência do irmão, pesou na decisão: “Fui mais para esse curso porque é a área que mais gosto. Tem matemática, física, calcular coisas... E depois também porque o meu irmão, que é mais velho, também foi para esse curso e ia-me dizendo o que é aprendia. Eu parecia gostar, então optei por isso.”

Método de estudo: exercícios, atenção e descanso

Apesar das notas altas, recusa a ideia de ser “marrão”. “Tento estudar o essencial. No início, quando era mais novo, eu era muito marrão e queria decorar tudo, mas depois percebi que perdia muito tempo e esquecia-me das coisas. Então, comecei a focar em estar mais atento à aula, apontar o essencial e depois de percebida a matéria, só fazer exercícios”, explica.

E acrescenta: “Quanto ao estudo, sinto que não preciso de estudar muito. Só antes dos testes, fazer um bocado de exercícios mais difíceis para consolidar". "O essencial era fazer exercícios, depois descansar bastante, porque quando estou muito descansado rendo muito mais. E quando faço coisas que gosto, depois estudar também é uma mais-valia”, diz ainda.

Nem tudo foi fácil. “Português foi muito difícil tirar boa nota nessa disciplina, não é mesmo o meu forte.” Já nas preferências, não hesita: “Era a Educação Física, que gosto muito de desporto, e depois Matemática e Física, Físico-Química.”

Discrição e perfil low profile

O sucesso escolar trouxe-lhe também alguns olhares diferentes dos colegas. “Os meus colegas dizem: ‘oh, pronto, já estava à espera disso, és um sobredotado’. Tratam-me como se eu fosse superior por ter bons resultados.”

Contudo, Ivo não se revê nessa imagem: “Eu não gosto que me olhem como se fosse superior. Gosto de ter um 'low profile'.”

Paixões fora da escola: polo aquático e música

A vida de Ivo não se resume às notas. Desde os 10 anos pratica polo aquático no Paredes, com treinos diários que muitas vezes lhe ocuparam o tempo de estudo. Ainda assim, vê no desporto uma força essencial: “Mesmo quando tinha teste no dia a seguir, ia ao treino, porque já sabia que ia ficar mais tranquilo na prova. É muito bom para lidar com a pressão. É tipo uma terapia.”

Este verão, foi mesmo selecionado para representar Portugal.

Outra paixão é a música. De forma autodidata, aprendeu guitarra elétrica, bateria e piano. “A música também é uma terapia. Estou a estudar, faço alguns exercícios, depois vou tocar um bocado e volto com muito mais energia. Gosto de aprender coisas sozinho. Até malabarismo aprendi pelo YouTube”, elenca.

A entrada no ensino superior

Agora, prepara-se para iniciar uma nova etapa na FEUP, no mesmo curso que o irmão frequenta. “Estou tranquilo, porque sei que agora vou estudar e ser avaliado em coisas que realmente gosto, que fui eu quem escolheu. E tenho a ajuda do meu irmão, o que também me traz mais conforto”, revela.

Quanto à praxe académica, admite curiosidade, mas já prevê dificuldades em conciliar: “Vou querer experimentar, mas sei que isso vai tirar muito do meu tempo. A faculdade é um pouco longe da minha casa, é para aí uma hora e meia de viagem para cada lado. Tendo em conta os treinos e estudar e todas as outras atividades, é quase impossível.” Por isso, manter-se-á a viver em casa e a viajar diariamente para o Porto.

Conselhos para os que agora começam

Ivo também deixa um conselho a quem entra agora no secundário: “Para não temer nada. Para ir para o secundário como se fosse o ensino básico. Não ficar a pensar: "tenho de me esforçar muito mais", porque isso só dá stress. O choque vai ser grande, a quantidade de coisas que aprendemos é muito maior, mas ao fim de algum tempo vamos habituar-nos e vai ser como estudar normalmente”, destaca.

Equilibrando estudo, desporto e música, Ivo Costa parte para o ensino superior sem perder de vista a simplicidade com que encara os resultados: esforço, equilíbrio e autenticidade. “Quero ser visto apenas como um bom aluno que se esforça.”