logo-a-verdade.svg
Castelo de Paiva
Leitura: 6 min

O hobby que se tornou profissão de sonho: Pedro Teixeira levou PT Dance Academy ao pódio nos EUA

A PT Dance Academy acaba de regressar dos Estados Unidos com a bagagem mais pesada: dois segundos lugares conquistados no prestigiante 'All Dance World', em Orlando.

Redação

Por trás destas vitórias está a equipa de Pedro Teixeira, um jovem de 32 anos natural de Penafiel, que trocou os códigos da engenharia informática pela linguagem universal da dança. Fomos conhecer a história de quem começou a dançar para perder peso e acabou a levar o nome de Portugal ao outro lado do Atlântico.

Para quem vê as duas bailarinas da PT Dance Academy a subir ao pódio em Orlando, Florida, para receberem as distinções de vice-campeãs mundiais, pode parecer que o sucesso foi imediato. Mas a coreografia que levou a este momento começou a ser desenhada há quase duas décadas, em Rio de Moinhos, Penafiel, e não tinha, inicialmente, qualquer pretensão de glória.

Pedro Teixeira, o diretor da academia, recorda o início improvável do seu percurso, por volta dos 14 ou 15 anos. “Foi um bocadinho por necessidade de perder peso, porque era um jovem com algum peso”, confessa. Na altura, a vila oferecia poucas alternativas e a curiosidade, aliada ao facto de ter amigas num grupo local, levou-o a experimentar. “Nunca foi nada que eu forçasse, as coisas foram acontecendo e fui-me deixando levar.”

O que começou como uma ferramenta de saúde física transformou-se rapidamente numa âncora social e emocional. Pedro descobriu que a dança ia muito além do exercício: “Posso dizer que os meus amigos mais chegados foram todos que conheci no contexto da dança (...). Esse lado de convívio também é muito forte e cria uma ligação muito forte entre as pessoas.”

O Engenheiro que Nunca Exerceu

O percurso académico de Pedro Teixeira parecia traçado a régua e esquadro. Ingressou em Engenharia Informática no Porto, uma área que lhe agradava, mas o "bichinho" da dança recusava-se a ficar em casa. Enquanto estudava algoritmos de dia, Pedro frequentava escolas de dança no Porto à noite, explorando novos estilos e absorvendo conhecimento com a voracidade de quem “gosta sempre de dar o passo seguinte e aprender sempre mais”.

A transição de aluno para professor foi orgânica. Começou com substituições, depois algumas turmas fixas, até que o hobby se tornou uma carreira. “As coisas foram-se moldando até que cheguei ao fim da faculdade com um horário completo de aulas para dar”, recorda.

Apesar de licenciado, a engenharia ficou na gaveta. “Foi ali um bocadinho de: 'ok, vamos tentar esta parte da dança que é aquilo que eu gosto mesmo e, caso corra mal, tenho sempre aqui a engenharia de parte'. Mas nunca foi preciso.”

O Nascimento da PT Dance Academy

A PT Dance Academy nasceu de uma oportunidade inesperada. Pedro lecionava na Academia de Dança de Castelo de Paiva quando a anterior diretora teve de abandonar o projeto. Pedro agarrou o desafio e decidiu unificar os vários locais onde dava aulas sob uma única marca.

“Quis englobar tudo no mesmo... se era um projeto meu, gostava de englobar todos aqueles alunos”, explica. A mudança de nome para PT Dance Academy serviu para remover barreiras geográficas e permitir o crescimento que se verifica hoje, com mais professores e estilos de dança.

O Sonho Americano em Orlando

A internacionalização da academia não é novidade para Pedro, que em 2018 já tinha competido em Phoenix, também nos EUA. Contudo, a recente participação no All Dance World em Orlando teve um sabor especial.

O processo de seleção é rigoroso: Nacional, Europeu e Mundial. Este ano, cerca de 60 alunos da academia qualificaram-se, um feito notável que atesta a qualidade da formação. Devido aos elevados custos da viagem, apenas duas bailarinas conseguiram representar a comitiva, mas fizeram-no com distinção, conquistando dois segundos lugares com duas coreografias.

“É sempre uma responsabilidade muito grande... estamos a representar a academia, os nossos concelhos e Portugal”, afirma Pedro. Para o diretor, estas medalhas são “o culminar de todo um processo de um ano de criação (...) e de muitas horas passadas no estúdio”. Ver o crescimento das alunas, tanto como bailarinas como pessoas, é, para Pedro, o verdadeiro prémio: “É muito orgulho.”

"O que custa é a primeira ida"

Apesar das vitórias, Pedro Teixeira mantém os pés bem assentes na terra, não esquecendo quem torna tudo isto possível. Deixa um agradecimento especial à Câmara Municipal de Castelo de Paiva pelo apoio nas iniciativas de angariação de fundos, bem como aos pais, alunos e à equipa de professores.

Para quem, tal como ele há 18 anos, está indeciso sobre experimentar esta arte, o engenheiro que virou mestre de dança deixa o convite: “A dança não é para todos, como o futebol não é para todos (...) mas o experimentar vai fazer com que tenham uma noção diferente. O que custa é a primeira ida.”

Na PT Dance Academy, as primeiras aulas são gratuitas, mantendo viva a filosofia de Pedro: dar uma oportunidade ao acaso, porque às vezes, um simples desejo de perder peso pode levar-nos aos palcos do mundo.