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Portugal
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Insuficiência cardíaca: Estudo do Porto revela que tratamento simultâneo é seguro

Um estudo da Faculdade de Medicina do Porto concluiu que iniciar dois tratamentos em simultâneo na insuficiência cardíaca é uma prática viável e segura.

Redação

A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) desenvolveu um estudo focado no tratamento da insuficiência cardíaca. A investigação concluiu que a administração simultânea de dois tratamentos é viável e segura, permitindo que os doentes recebam a medicação recomendada pelas diretrizes internacionais de forma mais célere.

O estudo, que avaliou doentes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, foi publicado no Journal of the American College of Cardiology no passado mês de janeiro. A patologia em causa caracteriza-se pela dificuldade do coração em bombear o sangue de forma eficaz, sendo uma realidade crónica que afeta populações de toda a região Norte, incluindo naturalmente a comunidade marcoense.

Abordagem rápida e acompanhamento médico

O professor e investigador da FMUP, João Pedro Ferreira, autor principal do estudo, salienta a importância desta alteração de paradigma clínico. O especialista refere que "esta descoberta é relevante porque muitos médicos hesitam em iniciar vários medicamentos ao mesmo tempo por receio de efeitos adversos". No entanto, a nova evidência científica aponta noutro sentido, uma vez que "este estudo sugere que, com acompanhamento adequado, uma abordagem mais rápida é viável e segura".

A investigação acompanhou doentes em vários centros hospitalares do Norte do país, com particular destaque para as Unidades Locais de Saúde São João e Santo António, no Porto, e ainda nas unidades de Gaia/Espinho e Matosinhos. O investigador detalha que "as diretrizes internacionais recomendam que os fármacos sejam iniciados o mais precocemente possível e as doses ajustadas".

Eficácia comprovada sem aumento de complicações

O grande dilema clínico residia no método de introdução dos fármacos. João Pedro Ferreira, que também integra a unidade de investigação RISE-Health, esclarece que, "antes deste ensaio, não se sabia se era seguro e eficaz iniciá-los em simultâneo ou se seria melhor começar um e só depois o outro, um a três meses depois".

Com os resultados agora obtidos no terreno, ficou provado que "a estratégia é segura, o que significa que não aumenta os efeitos adversos, quando se compara com a estratégia de começar o tratamento com apenas um medicamento e adicionar o outro após algumas semanas ou meses".

Para comprovar esta tese médica, os autores analisaram 62 participantes ao longo de um período de seis meses. Destes pacientes, 29 integraram o grupo de tratamento simultâneo e 33 o grupo sequencial. A idade média fixou-se nos 68 anos. O foco da análise rigorosa centrou-se em efeitos adversos comuns, como pressão arterial demasiado baixa, alterações perigosas do potássio ou impacto na função renal.

A equipa testou o início simultâneo das terapêuticas pilar para esta patologia e os resultados foram claros. O líder do estudo garante que "não houve aumento de complicações graves no grupo que iniciou ambos os fármacos em simultâneo". O mesmo responsável médico destaca ainda que, "ao fim de 12 semanas, todos os doentes que continuavam no estudo já estavam a tomar ambos os medicamentos e a maioria conseguiu atingir doses-alvo até às 24 semanas".

Esperança para meio milhão de portugueses

A validação deste método de tratamento traz nova esperança e maior qualidade de vida para os doentes cardiovasculares. "Não houve sinais de pior tolerância renal, baixa grave de pressão arterial ou de alterações graves de potássio no grupo simultâneo", concluiu João Pedro Ferreira, consolidando o sucesso da sua linha de investigação na Universidade do Porto.

A insuficiência cardíaca assume-se como uma doença crónica severa, provocando sintomas debilitantes como a falta de ar e a retenção de líquidos, e representa atualmente uma das principais causas de mortalidade na população acima dos 65 anos de idade. As estimativas das autoridades de saúde indicam que, em Portugal, mais de meio milhão de pessoas vivem diariamente com esta patologia.