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Sociedade
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Epilepsia: Quase metade dos doentes em Portugal precisa de três ou mais medicamentos para controlar a doença

No Dia Internacional da Epilepsia, assinalado esta segunda-feira, 9 de fevereiro, novos dados revelam um cenário preocupante em Portugal. Segundo o estudo epidemiológico EpiPort, quase metade (43,9%) dos doentes medicados necessita de combinar três ou mais fármacos para conseguir gerir a doença.

Redação

Os dados, divulgados pela Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE), expõem a complexidade da patologia no país e apontam para índices de farmacorresistência superiores ao esperado.

Para Nuno Canas, neurologista e presidente da direção nacional da LPCE, este número não é apenas estatística: "É um poderoso indicador clínico de que a prevalência da epilepsia farmacorresistente em Portugal pode ser muito superior ao que pensávamos. Estamos a quantificar, a nível nacional, a dimensão do desafio terapêutico".

O peso da polimedicação

A necessidade de recorrer a múltiplos fármacos representa um "pesado fardo diário" para os doentes. Segundo a LPCE, a literatura científica associa diretamente este nível de polimedicação a um aumento de efeitos adversos, como sonolência, tonturas ou dificuldades de concentração, a uma menor adesão à terapêutica e a uma redução significativa da qualidade de vida.

Além do impacto pessoal, esta realidade acarreta custos mais elevados para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e perdas de produtividade laboral.

O cenário atual contrasta com o objetivo clínico internacional, que visa alcançar a liberdade de crises com o menor número possível de medicamentos. Esta discrepância leva os especialistas a alertar para a "urgência de otimizar as abordagens terapêuticas" e de implementar programas de Saúde Pública mais eficazes.

Estudo revela o dobro da prevalência estimada

O EpiPort é descrito como o primeiro inquérito desta magnitude realizado em Portugal em mais de duas décadas. Conduzido pela LPCE, com consultoria da IQVIA e apoio da Angelini Pharma, o estudo envolveu um inquérito porta-a-porta a 10.666 indivíduos em todo o território nacional.

Além de caracterizar o percurso terapêutico, a investigação permitiu atualizar a taxa de prevalência da epilepsia em Portugal, que se revelou ser o dobro das estimativas anteriores.

"Estes dados expõem a luta diária que muitos doentes e médicos enfrentam", sublinhou Nuno Brás, Diretor-geral da Angelini Pharma em Portugal, reforçando a necessidade de continuar a apoiar a investigação para encontrar soluções que aliviem o peso da doença.