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Sociedade
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Operação "Cinderela": PJ detém dez pessoas por corrupção e fraude em processos de insolvência

A Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Norte, desencadeou a Operação “Cinderela”, que culminou na detenção de 10 indivíduos nas zonas do Grande Porto, Aveiro e Coimbra.

Redação

Entre os detidos encontram-se três ex-administradores de insolvência, um advogado e seis empresários e comerciantes, com idades compreendidas entre os 44 e os 77 anos.

Os suspeitos estão indiciados por um leque de crimes graves, incluindo associação criminosa, corrupção, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais. De acordo com a investigação, estas práticas terão ocorrido, pelo menos, entre os anos de 2023 e 2025.

O Esquema Criminoso: Benefício de Insolventes e Prejuízo de Credores

A investigação incide sobre uma atuação organizada e concertada de profissionais que intervinham em processos de insolvência e recuperação de empresas. O esquema permitia que o património das empresas fosse desviado em benefício dos próprios insolventes, prejudicando os credores reais.

A rede operava através do seguinte modus operandi:

  • Créditos Fictícios: Utilização de pessoas singulares ou coletivas de confiança para apresentar créditos inexistentes.

  • Documentação Forjada: Recurso a documentos falsos para garantir o reconhecimento imediato desses credores sem a devida comprovação de dívida.

  • Apropriação de Património: Estes créditos fraudulentos permitiam a apropriação imediata de bens móveis e imóveis.

  • Controlo de Planos de Recuperação: A rede assegurava a aprovação de planos de recuperação favoráveis aos devedores, suspendendo as ações dos credores reais e dissipando os ativos restantes.

Resultados da Operação e Apreensões

No decurso da operação, foram executadas 18 buscas domiciliárias e não domiciliárias, visando residências, empresas e escritórios de advogados. As autoridades apreenderam diversos elementos probatórios, destacando-se:

  • Documentação diversa e material informático;

  • Quantias em dinheiro;

  • Objetos de luxo e viaturas de gama alta.

A operação envolveu cerca de 80 elementos da Diretoria do Norte da PJ, contando ainda com o apoio especializado da equipa de análise digital da UNC3T.

Os detidos serão presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto para o primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação. O inquérito está sob a tutela do DIAP Regional do Porto.