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Vila Nova de Gaia
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Operação Babel: Câmara de Gaia ordena auditoria ao projeto Skyline e desiste de indemnização

O atual executivo municipal, liderado por Luís Filipe Menezes, classifica a operação urbanística da anterior gestão socialista como "ilegal" e violadora do PDM.

Redação

A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia determinou a realização de uma auditoria ao projeto Skyline/Centro Cultural e de Congressos. A decisão foi anunciada pelo executivo liderado pelo social-democrata Luís Filipe Menezes, que classifica o dossier, herdado da anterior gestão do PS, como uma "absurda construção jurídico-urbanística".

Em comunicado, a autarquia adianta que a auditoria incidirá sobre uma parceria público-privada que a atual liderança considera "ilegal", realizada "sem concurso público" e "violadora do Plano Diretor Municipal (PDM)".

Segundo o executivo, o negócio envolvia a troca de "centenas de milhões de euros concedidos a um grupo privado em detrimento de um retorno, em 25 anos, de uma dezena de milhões de euros". A Câmara refere tratar-se de uma "operação jurídica e urbanística gravíssima", que atribui à responsabilidade coletiva da anterior vereação.

Município retira pedido de indemnização

A informação surge na sequência do anúncio feito pelo coletivo de juízes do Tribunal de Gaia, onde decorre o julgamento da Operação Babel, de que o município desistiu de se constituir assistente no processo e retirou o pedido de indemnização cível de 50 mil euros.

"O executivo municipal, em decisão que levará a reunião de câmara, decidiu retirar o pedido de indemnização civil no processo Babel", confirma a autarquia, acrescentando que o anterior executivo "já o deveria ter feito". A nota crítica ainda a anterior gestão por ter pugnado "pela inocência do principal visado, o senhor ex-vice-presidente".

"A justiça não deve ficar por bodes expiatórios pontuais, tem que ir ao fundo do problema", frisa o comunicado.

Contexto do processo

O projeto Skyline, que previa a construção de apartamentos, um hotel, um centro de congressos e uma praça urbana, nunca chegou a avançar, mas está no centro da Operação Babel. O processo envolve 16 arguidos acusados de crimes económicos, como corrupção e tráfico de influências.

Entre os acusados estão o ex-vice-presidente da Câmara, Patrocínio Azevedo, e os empresários Elad Dror (grupo Fortera) e Paulo Malafaia. O Ministério Público sustenta que os promotores combinaram desenvolver projetos imobiliários na cidade, contando com o alegado favorecimento do autarca em troca de contrapartidas financeiras e bens materiais.

O julgamento, iniciado em janeiro, encontra-se na fase de alegações finais.