O grande objetivo passa por eliminar todas as barreiras físicas, sensoriais e de comunicação, garantindo que qualquer pessoa possa usufruir plenamente do edifício e das suas coleções.
O Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR), no Porto, encontra-se a desenvolver um projeto global para transformar a instituição num espaço totalmente inclusivo.
O grande objetivo passa por eliminar todas as barreiras físicas, sensoriais e de comunicação, garantindo que qualquer pessoa possa usufruir plenamente do edifício e das suas coleções.
Em declarações à agência Lusa, o diretor do MNSR, António Ponte, revelou que o plano está a ser desenhado em conjunto por uma equipa do próprio museu e por uma empresa privada de consultoria. A missão deste grupo de trabalho é identificar que medidas práticas devem ser adotadas para que todos os públicos, independentemente das suas capacidades físicas, sensoriais, intelectuais ou culturais, consigam aceder, compreender e desfrutar do património ali exposto.
Embora o edifício do museu já conte com equipamentos básicos de mobilidade, como elevadores e rampas, a direção procura agora uma abordagem estrutural profunda.
"Nós queremos que o projeto analise o museu na totalidade e crie uma resposta integrada para todas as áreas de intervenção na área da acessibilidade", frisou António Ponte, sublinhando a intenção de evitar a aplicação de "respostas soltas e desarticuladas". Esta adaptação global vai abranger a própria estrutura, o desenho das exposições (de longa duração e temporárias) e todos os canais de comunicação com o exterior.
Para que a inclusão seja efetiva, o projeto contempla um eixo dedicado aos recursos humanos. O diretor destaca ser "essencial desenvolver um programa de formação interna" transversal, garantindo que toda a equipa do MNSR esteja devidamente consciencializada e habilitada para dar resposta às diferentes necessidades dos visitantes.
O desenvolvimento deste ambicioso projeto conta com o mecenato da Fundação Millennium bcp e com o apoio institucional do Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do MNSR. Com este planeamento em marcha, o museu pretende começar a dar os primeiros passos práticos rumo à acessibilidade total a partir de 2027.
Recordando que o conceito de acessibilidade evoluiu muito para além da mera barreira arquitetónica, António Ponte concluiu que a abertura plena das instituições de fruição cultural desempenha hoje um papel vital "na construção de sociedades mais justas, participativas e democráticas".