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Portugal
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Novo SIRESP: Substituição da rede de emergência do Estado só avança para 2038

O Governo anunciou que a nova rede do SIRESP só estará totalmente operacional em 2038. O plano prevê investir 36 milhões de euros no sistema de comunicações.

Redação

A rede de comunicações de emergência do Estado vai sofrer uma transformação profunda, mas a mudança integral não acontecerá antes de 2038. Após sucessivas falhas estruturais em momentos críticos, o Governo apresentou na passada terça-feira o plano de renovação para o SIRESP, estipulando um prazo superior a uma década para a sua implementação total no terreno.

Limitações do sistema atual e criação de nova entidade

O coordenador do grupo de trabalho responsável pela substituição da infraestrutura justificou a necessidade desta transição prolongada e complexa. A equipa técnica responsável pela avaliação concluiu que o modelo em funcionamento é "limitado" e "revelou limitações em momentos críticos", o que exige uma resposta definitiva para proteger as populações de todo o país, desde os grandes centros urbanos até à comunidade marcoense e restante região Norte.

Para além da natural atualização tecnológica a longo prazo, o grupo de trabalho propõe uma mudança na forma como a plataforma é gerida. A intenção passa por criar "uma nova entidade, que permita dar uma autonomia operacional reforçada ao SIRESP", garantindo maior capacidade de decisão e resposta em cenários de proteção civil.

Ministro da Administração Interna assume que "não há risco zero"

Durante a apresentação pública do calendário das alterações, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, abordou os desafios desta transição, assumindo perentoriamente que "não há risco zero" ao alterar a espinha dorsal da rede de comunicações de emergência do Estado.

O governante detalhou que o vasto plano de transição engloba "matérias de curto e médio prazo" que serão executadas por este Governo, mas reconheceu com franqueza que existem passos estruturais "que transitarão para o seguinte". Rejeitando qualquer tipo de partidarização do tema e "não olhando a cores políticas", Luís Neves sublinhou que a segurança e as comunicações de emergência são uma matéria "do interesse comum", vincando que não existe apenas "um caminho a seguir". Na sua perspetiva sobre a urgência do processo, o líder da pasta garantiu: "O Governo tinha de agir e penso que agiu bem".

Investimento milionário para garantir redundâncias e autonomia

Enquanto a rede de substituição não entra em funcionamento na próxima década, o Estado vai injetar capital imediato para estabilizar e reforçar as atuais antenas e comunicações. De acordo com informações avançadas por uma fonte do setor à agência Lusa, o Governo prevê investir "36 milhões de euros" na infraestrutura ainda em vigor.

Esta dotação financeira tem como objetivo muito específico e imediato "tornar a rede mais autónoma em termos energéticos e criar redundâncias". Este reforço tecnológico pretende evitar apagões de comunicação caso existam falhas na rede elétrica convencional durante o combate a incêndios florestais ou em situações de intempéries severas.