O tempo, os palcos e a música acabariam por aproximá-los. “Fomo-nos vendo em vários eventos e, mais tarde, começámos a falar. Aproximámo-nos devido à música.” Luís, que começou a fazer música “na onda da brincadeira, com amigos”, passou a encará-la de forma mais séria em 2018. Após a pandemia, surgiu a oportunidade de integrar a Liga Knock Out, onde intensificou a participação em batalhas e lançou um álbum. Já Sílvia tem um percurso marcado por mixtapes e discos lançados, e entrou no circuito das batalhas em 2022, entre Porto e Lisboa.
O ponto alto desta caminhada conjunta foi histórico: a primeira batalha dois-contra-dois protagonizada por um casal em Portugal. “Nunca tinha acontecido cá”, sublinha Luís. A proposta surgiu quando Sílvia quis estrear-se na Liga Knock Out, no evento Barras Invictas, no Porto. “Lá fora já é muito comum, por exemplo em Angola”, acrescenta. Num meio ainda marcadamente masculino, Spitz destaca-se: “O sexo feminino nas batalhas é reduzido. Neste momento, a Spitz é a única mulher em competição regular”, partilha LC, orgulhoso.
Ensaiar em conjunto revelou-se tão intenso quanto a própria batalha. “Foi muito duro e cansativo”, contam. Entre filhos, horários tardios e métodos de trabalho diferentes, a casa transforma-se num laboratório criativo. “Tenho duas meninas, um filho em conjunto, e o Luís tem mais uma criança. Por norma somos seis cá em casa e eles acabam por assistir a muitos ensaios.” Houve momentos de tensão e outros de orgulho. “Houve alturas em que não nos podíamos ver”, confessa Sílvia, “mas no fim foi uma experiência positiva, correu bastante bem e as pessoas gostaram.”
No dia das atuações, as personalidades contrastam. “Antes das batalhas sou insuportável, fico muito ansiosa”, partilha Sílvia. “Mas no momento esquecemo-nos de tudo.” Luís reage de outra forma: “Também fico nervoso, mas fico mais calado, faço piadas daquilo que se calhar não devia e tento transparecer confiança para apoiar a Sílvia.”