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Amarante
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"Um sonho merece sempre uma tentativa": Como a VITFUT trouxe o basquetebol para Amarante

Há transformações desportivas que começam com grandes investimentos e promessas mediáticas, mas a história da Academia de Basquetebol de Amarante escolheu um caminho distinto.

Redação

O projeto da Associação VITFUT nasceu da resiliência, de uma lacuna na oferta desportiva da região e, acima de tudo, de uma inabalável vontade de fazer a diferença na vida dos mais novos.

Rogério Machado, Coordenador Geral da Academia, é o rosto e a voz desta verdadeira revolução desportiva no concelho. Olhando para as raízes do projeto, o responsável recorda que "há sonhos que nascem em silêncio. Sem aplausos. Sem holofotes. Sem garantias. Apenas com uma pergunta: 'E se fosse possível?'". Foi precisamente desta inquietação e desta coragem para desafiar o improvável que a VITFUT ganhou vida.

A Construção de uma Casa para os Sonhos

Quando o projeto da Academia de Basquetebol foi desenhado, em 2024, o foco ultrapassava largamente as quatro linhas do campo. A visão dos fundadores estava centrada no impacto humano. "Não estávamos apenas a pensar numa modalidade. Estávamos a pensar nas crianças. Nos jovens. Nas famílias. Em todos aqueles que mereciam ter uma oportunidade que nunca tinham tido", sublinha Rogério Machado.

Até àquele momento, a modalidade era um vazio no panorama desportivo local. Como o coordenador faz questão de frisar, "o basquetebol não existia em Amarante". Para os jovens apaixonados por este desporto, "não havia um caminho, não havia uma referência, não havia uma casa para quem sonhava jogar". Ciente de que "os sonhos, quando não encontram casa, acabam muitas vezes por partir", a equipa da VITFUT decidiu contrariar o destino, acreditando que uma cidade rica em história tinha todo o potencial para construir um novo capítulo desportivo.

O início foi pautado pela ausência de recursos, mas alimentado por uma enorme convicção. "Começámos do zero. Sem atletas. Sem equipas. Sem tradição", confessa Rogério Machado. Contudo, traziam consigo "algo que nenhuma dificuldade consegue vencer: a crença". A crença de que todas as crianças merecem uma oportunidade, de que "um sonho merece sempre uma tentativa", e de que o impossível "é apenas algo que ainda não teve alguém suficientemente corajoso para o desafiar".

A evolução foi orgânica e profundamente humana. "Primeiro chegou uma criança. Depois outra. Depois uma família. Depois outra", recorda o coordenador com emoção. Quase sem darem conta, uma simples ideia transformou-se numa comunidade vibrante.

Do "Baby Basquetebol" ao Desporto Feminino

Atualmente, o cenário é de franca expansão. A VITFUT acolhe e treina dezenas de atletas cujas idades variam entre os 3 e os 18 anos, abrangendo desde a iniciação no "Baby Basquetebol" até ao escalão de Sub-18. Olhando para o futuro, o clube prepara-se para dar um passo histórico com a criação de uma equipa totalmente feminina, projetada já para a época de 2026/2027.

Ainda assim, a filosofia da academia recusa a frieza das estatísticas. "A nossa história nunca foi sobre números. Foi sempre sobre pessoas", garante Rogério Machado. O verdadeiro sucesso mede-se nas pequenas vitórias diárias: "Sobre aquela criança que descobriu confiança. Sobre aquele jovem que aprendeu que falhar não é perder. Sobre aqueles pais que perceberam que o desporto também educa. Sobre treinadores que ensinam muito mais do que lançar uma bola ao cesto".

A Magia do Jogo e a Força das Parcerias

O basquetebol apresenta exigências muito particulares, algo que a academia faz questão de incutir nos seus jovens atletas. Nas palavras de Rogério Machado, trata-se de uma modalidade coletiva onde a "velocidade de raciocínio e execução é ímpar", sublinhando que, dentro de campo, "não basta ter força e sorte". A componente técnica assume um papel preponderante, superando até a de outros desportos coletivos. "Não podemos simplesmente rematar com toda a força e esperar que a bola entre, pois a percentagem de acertos será diminuta", explica, traçando um notável paralelismo com a própria vida: "A forma correta de se fazer algo acontecer tem uma grande importância no basquetebol, e dos mais jovens aos atletas de elite é necessária uma técnica muito apurada". O resultado é uma prática desportiva "excelente a nível motor e acima de tudo social".

Mas, como reitera o coordenador, "os sonhos mais bonitos são aqueles que outras pessoas decidem abraçar". À medida que o projeto cresceu, a VITFUT encontrou instituições vitais que compreenderam que "não se tratava apenas de basquetebol, tratava-se de crianças, de oportunidades, de futuro".

Um dos pilares desta rede de apoio tem sido o Colégio de São Gonçalo, descrito por Rogério Machado como "um parceiro que compreendeu que educar não acontece apenas entre quatro paredes". A educação estende-se agora aos pavilhões, a uma equipa, "num abraço depois de uma derrota, num sorriso depois de uma conquista". Esta união reflete a força que surge quando instituições partilham valores comuns. "Quando os sonhos ganham mais força, quem cresce não é apenas um clube. Crescem as crianças. Crescem os jovens. Cresce Amarante", afirma o responsável com orgulho, relembrando que o basquetebol é apenas o ponto de partida para um destino maior que "se chama caráter, amizade, respeito e crescimento".

Atualmente, a atividade desportiva da Academia de Basquetebol de Amarante distribui-se pelo Colégio de São Gonçalo, pelo Pavilhão Municipal de Amarante e pelo Gimnodesportivo de Amarante. A Câmara Municipal tem assumido o papel de parceira essencial nesta expansão, disponibilizando soluções para a iniciação da prática desportiva e revelando-se "um parceiro incansável no desenvolvimento da modalidade na nossa região".

O Apelo à Região e a Força dos Pais

Para que o sonho continue a prosperar, a VITFUT enfrenta enormes desafios logísticos e financeiros. Rogério Machado não esconde que o esforço diário é colossal e aproveita para lançar um apelo direto aos agentes económicos regionais, pedindo a sua colaboração para melhorar as condições de treino e de jogo. "Não temos forma de conseguir fazer mais pela região sem esses apoios financeiros", alerta o coordenador.

Nesta luta pela sustentabilidade e melhoria, os pais dos atletas assumem um papel de autênticos heróis de bastidores. Com uma participação ativamente incansável na vida do clube, as famílias têm sido cruciais no apoio diário e na angariação de protocolos com entidades exteriores. Fruto dessa dedicação familiar, o clube conta hoje com o apoio inestimável de instituições e empresas como o Hospital da Luz em Amarante, a RodoAmarante, a Clínica Eugenia Teixeira, o Monte das Rumas e a Megapublicidade.

Um Clube Único com Olhos no Futuro

Ao refletir sobre a jornada desde 2024, Rogério Machado assume que olha para trás com enorme orgulho, "não pelo que conquistámos, mas por aquilo que construímos", mantendo os olhos focados num futuro de ambição onde querem "crescer e ser competitivos".

Sendo o único clube de basquetebol de todo o concelho, a responsabilidade é acrescida. Numa declaração aberta e franca, o coordenador sublinha o respeito pela tradição desportiva da cidade: "O Basquetebol tem um excelente caminho a trilhar em Amarante. O nosso clube pretende fazer aquilo que não foi feito antes, mas sem esquecer o devido valor de todas as instituições já enraizadas e preponderantes na vida desportiva no concelho". Contudo, a VITFUT não esconde a "singularidade do nosso trabalho".

O derradeiro troféu desta academia, mais do que qualquer taça, é o impacto real nas famílias amarantinas. "É muito gratificante ver estes miúdos a melhorarem o rendimento escolar, a serem mais interativos com outras crianças e a praticarem desporto", conclui Rogério Machado, rematando que esta revolução silenciosa "só é possível com o apoio do município, do clube, dos treinadores, dos pais e acima de todos, os atletas".