Num mundo cada vez mais refém dos ecrãs e do isolamento pós-pandemia, fomos perceber o que acontece ao nosso cérebro quando os lábios se tocam. A resposta é dada por Alexandra Torres, psicóloga clínica com 25 anos de experiência, que nos deixa um alerta claro: o afeto é um caso de saúde pública.
A rotina diária empurra-nos, muitas vezes, para o piloto automático. O beijo apaixonado dos primeiros tempos de namoro dá lugar a um "selinho" mecânico à porta de casa, e o toque demorado é substituído pelo ecrã frio do telemóvel. Mas, do ponto de vista clínico, a fatura desse distanciamento físico é alta.
A residir em Lordelo, no concelho de Paredes, e a exercer maioritariamente em Paços de Ferreira, Alexandra Torres dedicou os últimos 25 anos da sua vida à Psicologia Clínica e da Saúde, com subespecialidade em Psicoterapia. Para a especialista, o beijo está longe de ser apenas um mero formalismo ou um ato de romance passageiro. "É a forma mais significativa da comunicação emocional", garante. "É um gesto simples, mas com um forte impacto na criação e na manutenção de vínculos".

