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Baião
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Governo entrega 50 milhões em maquinaria pesada em Baião para reforçar a prevenção de incêndios

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, apresentou esta quarta-feira, às 09h30, no Auditório Municipal de Baião, uma iniciativa nacional que marca uma nova etapa na prevenção de incêndios rurais e na gestão florestal.

Redação

A ação, tutelada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), consiste na entrega de maquinaria pesada a diversas Comunidades Intermunicipais e municípios, num investimento global na ordem dos 50 milhões de euros.

A cerimónia contou com a presença da ministra do ambiente e energia, do ministro da agricultura e mar, do secretário de estado das florestas, além de vários autarcas e responsáveis de Comunidades Intermunicipais.

Mudança de paradigma: Prevenir antes de combater

Durante a sua intervenção, Luís Montenegro sublinhou que este momento "não é só simbólico, ele materializa uma opção de investimento avultado que fazemos com os recursos públicos". O chefe do Governo destacou a importância de agir em dezembro para "proteger a nossa floresta" e "preparar o futuro", antecipando as condições climáticas adversas.

"Estamos aqui hoje a perspectivar aquilo que ainda não aconteceu e a prevenir aquilo que queremos evitar que aconteça", afirmou o primeiro-ministro, defendendo que o objetivo primordial é "evitar as tragédias" e as ocorrências, ou garantir que estas tenham "uma dimensão menor" caso aconteçam.

Montenegro apelou ainda a uma mudança cultural na gestão do fogo, incentivando a realização de queimadas de forma "ordenada" e "controlada". O governante alertou que, embora muitas corram bem, "basta uma" sair do controlo para "dar origem a um grande incêndio" que destrói ecossistemas e bens.

Equipamentos para gestão e combate

O investimento traduz-se na distribuição de "máquinas de rastro, como tratores, como viaturas multifunções". Segundo Sandra Sarmento, diretora regional do Norte do ICNF, esta operação contempla a entrega de 18 bulldozers (máquinas de rastro) para as Comunidades Intermunicipais (CIM), que servirão para melhorar acessos e apoiar o combate, e um total previsto de 285 tratores para os municípios, dos quais 57 são entregues nesta fase. O pacote inclui ainda 100 viaturas para capacitar as equipas técnicas do ICNF.

"As máquinas de rastro, por exemplo, são o equipamento mais importante para suster a propagação do fogo", explicou Luís Montenegro, reforçando que estes meios devem ser usados durante todo o ano para ordenar e gerir a floresta.

A entrega dos equipamentos inicia-se hoje mesmo, visando aproveitar o inverno para prevenir os incêndios de verão.

Baião na linha da frente após um ano devastador

A escolha de Baião para acolher a iniciativa não foi ocasional. Raquel Azevedo, presidente da Câmara Municipal de Baião, recordou que o concelho sentiu "na pele quando em 2024 60% da nossa área florestal ficou pintada de negro", afetando gravemente a Serra da Aboboreira, o turismo e a agricultura. "Foi um golpe doloroso à nossa comunidade, mas também um alerta", afirmou a autarca.

Raquel Azevedo salientou que, em territórios de baixa densidade populacional e alta densidade florestal, o perigo está "cada vez mais à porta das pessoas" devido ao abandono da agricultura familiar e ao crescimento vigoroso da vegetação impulsionado pelas alterações climáticas.

A autarca garantiu que o município quer estar "na linha da frente da prevenção" e disponível para colaborar com o Governo, mas alertou que a transferência de competências deve ser acompanhada pelo "envelope financeiro necessário". Relativamente aos equipamentos, Raquel Azevedo esclareceu que o Município de Baião receberá um trator numa próxima tranche, prevista para maio ou junho.

Pendentes e futuro

À margem da cerimónia, a presidente da autarquia informou ter dado nota ao Primeiro-Ministro de que "ainda faltam liquidar alguns apoios a alguns empresários" afetados pelos incêndios de 2024, tendo já agendado reuniões para resolver a situação. Sobre a reforma da proteção civil e a eventual perda do comando sub-regional, Raquel Azevedo adotou uma postura de prudência, afirmando que é necessário "esperar para ver", garantindo que a autarquia tomará posição na altura certa.

Luís Montenegro concluiu reforçando a estratégia de descentralização, entregando os meios ao poder local para serem geridos com "corresponsabilização" e "cogestão", visando servir o país a partir de uma base territorial concreta.