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Sociedade
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Sindicato exige demissão de comandante dos bombeiros de Areosa/Rio Tinto; Marco Martins alega "perseguição política"

O Sindicato Nacional da Proteção Civil (SNPC) exigiu a demissão imediata de Marco Martins, comandante dos Bombeiros Voluntários de Areosa/Rio Tinto, em Gondomar.

Redação

A estrutura sindical acusa o responsável de suspender mais de duas dezenas de operacionais. Em resposta, o comandante e ex-autarca rejeita as acusações, falando em "perseguição política" motivada por um processo judicial que a corporação vai interpor contra o próprio sindicato.

O clima de tensão instalou-se na corporação de Gondomar após um comunicado divulgado pelo SNPC, que acusa Marco Martins de ter instaurado 21 processos disciplinares em apenas nove meses de mandato.

O sindicato acusa o comandante de ter "colocado na prateleira mais de 20 voluntários", alegando que as suspensões não têm fundamento e ocorrem "tão-somente porque os mesmos se pronunciaram livremente sobre a vida da corporação, reagindo a comportamentos abusivos". O SNPC classifica a postura do comandante como uma "situação vergonhosa que não dignifica o estatuto dos soldados da paz".

Confrontado pela agência Lusa, Marco Martins, antigo presidente da Câmara Municipal de Gondomar, negou qualquer atitude abusiva. O comandante garantiu que a única queixa existente, com cerca de quatro meses, o acusava apenas de ser "demasiado exigente".

Exercendo o cargo a título gratuito, Marco Martins sublinhou que os atuais resultados operacionais "são os melhores de sempre" e revelou que os bombeiros que tinham pedido passagem à reserva, influenciados por terceiros, já regressaram ao ativo.

Para o comandante, a posição do SNPC é uma manobra de "perseguição política" que surge como retaliação. Em causa está a decisão da direção dos bombeiros de avançar para os tribunais contra o sindicato. O motivo prende-se com uma alegada "falsificação de documentos" e a simulação da "eleição de um delegado sindical que não o podia ser por não ser funcionário dos bombeiros".

A versão de Marco Martins é apoiada a cem por cento pela direção da Associação Humanitária dos Bombeiros de Areosa/Rio Tinto. O presidente, Rui Oliveira, confirmou que a queixa judicial contra o sindicato está a ser preparada e desvalorizou a dimensão da contestação interna, esclarecendo que "só houve um indivíduo expulso enquanto bombeiro" e que a grande maioria do corpo ativo, composto por 70 operacionais, "está com o comandante".

O presidente da direção acusou ainda o sindicato de escolher este momento ("timing") para emitir o comunicado com o único propósito de "desestabilizar" a assembleia-geral agendada para a noite desta segunda-feira. Segundo Rui Oliveira, a sessão vai demonstrar que o ano de 2025 foi "o melhor de sempre" em termos financeiros e de contas da corporação.

A polémica estende-se, por fim, ao número de sindicalizados na corporação. Enquanto a direção dos bombeiros e o comandante asseguram que o sindicato não representa nenhum trabalhador, referindo que o único associado enviou um e-mail no sábado a desvincular-se por não se rever no comunicado, o secretário-geral do SNPC, José da Costa Velho, apresenta outra versão. À Lusa, o dirigente sindical garantiu que o SNPC tem cerca de 15 associados voluntários na corporação, confirmando apenas que o único trabalhador assalariado anulou a sua inscrição no passado sábado.