O documento é tornado público no mesmo dia em que Pedro Clemente toma posse como novo presidente da ANSR, numa cerimónia liderada pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, da qual se esperam novas medidas estratégicas para o setor.
Portugal apresenta atualmente o cenário mais grave de sinistralidade dentro das localidades em todo o espaço europeu. Os dados constam de um novo estudo da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) sobre a evolução da sinistralidade, divulgado esta quarta-feira, 15 de abril, pela agência Lusa.
O documento é tornado público no mesmo dia em que Pedro Clemente toma posse como novo presidente da ANSR, numa cerimónia liderada pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, da qual se esperam novas medidas estratégicas para o setor.
O relatório da ANSR traça um retrato preocupante das vias urbanas nacionais. Segundo o documento citado pela Lusa, o período pós-pandemia (entre 2022 e 2025) demonstrou "uma evolução dicotómica entre dentro e fora da localidade".
Enquanto as estradas fora das povoações registaram "uma redução consistente da mortalidade", com quebras na ordem dos 17,8%, o cenário inverte-se no meio urbano. Dentro das localidades, a ANSR confirma "uma inversão da tendência, com aumentos de 8%" nos óbitos a 24 horas.
A gravidade dos ferimentos nas cidades é outro fator de alerta. O estudo sublinha que, por cada 100 mortes nas primeiras 24 horas em ambiente urbano, "ocorrem mais 45 mortes até aos 30 dias". A autoridade rodoviária explica que "os acidentes urbanos, embora inicialmente menos fatais, resultam frequentemente em vítimas que acabam por morrer nas semanas seguintes", sugerindo um "maior peso relativo de lesões graves".
Os números colocam o país no topo de uma tabela indesejada. O relatório avança categoricamente que "Portugal tem o perfil de mortalidade urbana mais elevado da UE". Em território nacional, 55% das mortes rodoviárias ocorrem em zonas urbanas. Este valor contrasta fortemente com a média europeia (39%) e com o país vizinho, Espanha (27%).
A ANSR indica que este padrão dita as prioridades de intervenção, que devem focar-se nas cidades, nomeadamente na "moderação de velocidade, infraestrutura pedonal e ciclável" e na gestão de conflitos de trânsito. O excesso de velocidade é, aliás, apontado como um fator crítico. O estudo revela que Portugal tem "um problema de excesso de velocidade declarado em zona urbana mais grave do que Espanha (65,2% contra 48,4%)".
Em sentido inverso, as autoestradas portuguesas são classificadas como "relativamente seguras". Apesar de representarem 21,7% da rede total do país, concentram apenas 8% das vítimas mortais.
A análise temporal da sinistralidade permitiu à ANSR identificar "uma concentração sazonal clara da gravidade no terceiro trimestre do ano". Os meses de verão concentram "mais de 30% das vítimas mortais e dos feridos graves", evidenciando uma intensificação do risco nesta época.
A longo prazo, a comparação internacional citada pela Lusa reconhece que "Portugal melhorou de forma muito significativa nas últimas duas décadas", baixando a taxa de mortalidade de 118,8 (em 2005) para 58,1 (em 2024) por milhão de habitantes. Contudo, a autoridade lamenta que esta evolução "não foi suficiente para assegurar convergência com os países europeus mais seguros".
Em 2024, a taxa portuguesa de 58,1 permanecia acima da média da União Europeia (45) e de Espanha (36,7). O relatório conclui ainda que existe em Portugal um problema especialmente expressivo associado ao "aumento de mortos devido a acidentes em motociclos e ciclomotores", o que exige resposta imediata das autoridades.