A Igreja de Penha Longa serviu de cenário, esta sexta-feira, dia 17 de abril, para a união matrimonial de Christian Kuitcha-Champion e Anne Attipoe. O casal, residente em Londres, escolheu a freguesia de Penha Longa, em Marco de Canaveses, para celebrar um casamento íntimo, motivado por uma paixão pela região do Douro.
A ligação destes noivos britânicos a Portugal não é recente. Christian, que profissionalmente desempenha funções como gestor de desenvolvimento corporativo na capital inglesa, recorda que a descoberta da região aconteceu durante uma visita para o enlace de uns amigos comuns.
"Viemos passar as nossas primeiras férias juntos a Portugal, para um outro casamento, e descobrimos o Douro. Decidimos logo que tínhamos de voltar cá para um casamento. A este país tão lindo que vocês têm", confessou o noivo em entrevista ao Jornal A VERDADE.
A escolha específica da pequena localidade de Penha Longa deveu-se à busca por um ambiente mais autêntico e próximo da natureza, algo que Anne Attipoe, a noiva, priorizou na fase de planeamento. "Nós adoramos o Vale do Douro que foi incrível para as nossas primeiras férias. Neste caso acabámos por escolher Penha Longa pelo facto de gostarmos de aldeias pequenas e da vida em comunidade", explicou Christian.
A organização de um evento à distância trouxe desafios logísticos, nomeadamente a barreira da língua. No entanto, Christian Kuitcha-Champion, habituado ao mundo das Tecnologias de Informação, revelou como a Inteligência Artificial facilitou a comunicação com as entidades locais.
"No início estávamos preocupados com as preparações porque não falávamos português. Mas, como trabalho em TI, hoje em dia usamos a Inteligência Artificial com muita facilidade. Por isso, a conversa inicial foi feita usando o ChatGPT e a IA para traduzir o que precisávamos", revelou o noivo.
Apesar da facilidade tecnológica, a componente religiosa exigiu um processo formal entre países, uma vez que o casal pretendia casar pela Igreja Católica. Christian sublinhou que foi necessário realizar a preparação espiritual no Reino Unido, enviando posteriormente a documentação para a Diocese do Porto.
"O processo foi tranquilo. Visitámos a igreja, e a Annie soube que este ia ser o lugar para nós. Tinha tudo: as montanhas, as vistas, a igreja linda. E o Padre Pedro de Penha Longa foi inacreditável, foi muito acolhedor e ajudou-nos imenso", recordou o londrino.
A decisão de atravessar fronteiras para celebrar o matrimónio foi bem recebida pelas famílias, que encontraram em Portugal um sentido espiritual acrescido. "As nossas famílias são ambas católicas e o apelo de aproveitar a viagem para visitar o Santuário Fátima, que não fica muito longe, fez com que fosse a combinação perfeita", justificou Christian.
O tempo soalheiro deste 17 de abril foi outro dos elementos destacados pelo noivo, que se descreve como alguém dependente da luz para o seu bem-estar emocional. "Tínhamos ouvido dizer que podia chover, mas durante toda esta semana nem sequer vimos uma pinga de chuva. Calhou bem, assim podemos aproveitar o tempo e a comida portuguesa. Sentimo-nos verdadeiramente abençoados", afirmou.
O acolhimento das gentes locais foi, para o casal, o fator diferenciador que os fez considerar, inclusive, uma mudança definitiva para o Norte de Portugal no futuro.
"Recomendaria Portugal não apenas para casamentos, mas pelo estilo de vida e pela forma tão acolhedora como as pessoas nos têm recebido, não apenas na diocese local ou com o Padre Pedro, mas até mesmo com a comunidade local", admitiu Christian Kuitcha-Champion.
No dia em que o sol brilhou sobre a Igreja de Penha Longa, Christian não escondeu o nervosismo natural de quem dá um passo decisivo, mas aproveitou para deixar uma reflexão sobre o significado do matrimónio para as gerações mais jovens.
"O melhor conselho que já ouvi sobre o casamento é que o casamento é feito por duas pessoas que compreenderam que têm desafios e que não são perfeitas, mas que estão dispostas a trabalhar nas imperfeições um do outro. Sei que não sou perfeito e sei que a Annie não é perfeita, mas nós simplesmente amamo-nos e queremos partilhar o resto das nossas vidas juntos", concluiu o noivo antes de iniciar a sua "mini-lua de mel" pelo Douro e Lisboa.
O casal planeia ainda uma celebração maior perto do Natal, mas levará de Marco de Canaveses a memória de uma receção que Christian descreveu como "honrosa e comovente".