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Sociedade
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Amália: O "ChatGPT português" chega em junho e será gratuito para todos

Portugal prepara-se para lançar, no final de junho de 2026, a versão final do Amália, o primeiro modelo de inteligência artificial de larga escala (LLM) desenvolvido de raiz para o português europeu.

Redação

O projeto, que representa um investimento de 5,5 milhões de euros, será disponibilizado em regime de código aberto (open source).

De acordo com o Ekonomista, este modelo não terá uma aplicação ou site próprio como o ChatGPT da OpenAI. O objetivo central passa pela integração da tecnologia nos serviços da Administração Pública, através do portal gov.pt, e na área da educação e ciência. Contudo, por ser open source, qualquer empresa ou cidadão poderá utilizar o código para desenvolver as suas próprias aplicações.

Um modelo com sotaque e contexto nacional

O Amália: acrónimo de Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial - é uma homenagem à fadista Amália Rodrigues. Segundo o Ekonomista, a grande diferença deste modelo reside no facto de ter sido treinado especificamente para compreender não apenas a variante linguística do português de Portugal, mas também o contexto social e cultural do país.

Tecnicamente, o Amália é um modelo multimodal, o que significa que tem capacidade para processar e gerar texto, fala, imagem e vídeo. O projeto envolve cerca de 60 investigadores de instituições de referência, como a NOVA FCT e o Instituto Superior Técnico, em colaboração com as universidades de Coimbra, Minho, Porto, Beira Interior e Évora.

Investimento e Soberania Digital

De acordo com o Ekonomista, o desenvolvimento do Amália é totalmente financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Este projeto insere-se numa estratégia mais vasta: o Governo prevê investir 20 milhões de euros na adoção de IA no Estado ainda em 2026 e mais de 400 milhões de euros até 2030, através da Agenda Nacional de Inteligência Artificial (ANIA).

Um dos pilares deste lançamento é a soberania digital. Ao criar uma ferramenta própria, Portugal reduz a dependência tecnológica de grandes multinacionais e garante que os dados e as respostas da IA respeitam a realidade nacional. Segundo as estimativas do Governo citadas pelo Ekonomista, a inteligência artificial poderá contribuir com um acréscimo de até 22 mil milhões de euros para o PIB nacional na próxima década.

Onde será aplicado?

Numa primeira fase, o Amália está a ser testado nas áreas da Cultura e da Educação. Entre as aplicações previstas destacam-se:

  • Administração Pública: Apoio aos cidadãos no portal gov.pt.

  • Educação: Integração na plataforma IAedu da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

  • Ciência: Análise de dados científicos e apoio à investigação.

A versão que será apresentada em junho será a versão multimodal definitiva, marcando o fim de um processo que passou por fases beta e base ao longo dos últimos meses.