Integrada na estrutura do sabiUs, a unidade tem vindo, ao longo de cinco anos, celebrados este domingo, 8 de março, a crescer de forma sustentada, alargando respostas e consolidando uma missão clara: cuidar de cada pessoa como única.
Cinco anos depois de ter nascido no seio da comunidade educativa, a UNiTCARE afirma-se hoje como um projeto sólido na área da saúde e do desenvolvimento pessoal em Paredes e na região envolvente.
Integrada na estrutura do sabiUs, a unidade tem vindo, ao longo de cinco anos, celebrados este domingo, 8 de março, a crescer de forma sustentada, alargando respostas e consolidando uma missão clara: cuidar de cada pessoa como única.
Manuela Barros, diretora geral da UNiTCARE
A UNiTCARE surgiu da identificação de uma lacuna concreta no sabiUs, um centro de estudos dedicado a crianças e adolescentes. Neste contexto educativo tornou-se evidente que o sucesso escolar não depende apenas de competências académicas, mas também do equilíbrio emocional. “Percebemos que era fundamental ligar a parte psicológica e emocional à educação. Não fazia sentido trabalhar uma sem a outra”, explica Manuela Barros, coordenadora geral do projeto, que o desenvolve em conjunto com o seu sócio, Júlio Borges.
O que começou como uma unidade de apoio à aprendizagem evoluiu rapidamente para uma resposta mais abrangente. À psicologia educacional juntou-se a psicologia clínica para crianças, jovens e adultos, a terapia da fala, a neuropsicologia, a pedopsiquiatria e a terapia familiar. Hoje, a UNiTCARE oferece acompanhamento individual, familiar e parental, entendendo que muitas das dificuldades manifestadas pelas crianças têm raízes e impacto no contexto familiar.
A equipa integra duas psicólogas (nas áreas clínica, educacional e neuropsicologia), terapeuta da fala e pedopsiquiatria por agendamento. São quatro profissionais, com agendas praticamente preenchidas, assegurando mais de 120 consultas mensais.
O trabalho é feito em articulação permanente entre profissionais, com as famílias e, sempre que necessário, com escolas e entidades externas. A UNiTCARE mantém protocolos com a Câmara Municipal de Paredes, tribunais e CPCJ, reforçando o seu papel institucional e social.
Embora tenha nascido para dar resposta aos alunos do centro de estudos, o projeto rapidamente se abriu à comunidade. Atualmente, atende utentes externos de todo o concelho e de municípios vizinhos , como Penafiel, Lousada, Paços de Ferreira e Marco de Canaveses. As consultas decorrem em regime presencial e online, sobretudo no acompanhamento de adultos.
A nível escolar hoje a intervenção é mais ampla. O objetivo passa pelo fortalecimento da autoestima, da confiança e da autorregulação emocional. “Quando trabalhamos o equilíbrio emocional, os resultados aparecem naturalmente no comportamento, no ambiente familiar e também no desempenho escolar”, sublinha a coordenação.
A equipa participa ainda em reuniões pedagógicas por ciclo de ensino, intervindo de forma preventiva e articulada. Desenvolve orientação vocacional, apoio a famílias estrangeiras na integração no sistema educativo e acompanha alunos sinalizados com medidas de suporte à aprendizagem, em colaboração com equipas multidisciplinares das escolas.
Um dos propósitos assumidos da UNiTCARE é contribuir para a desmistificação da saúde mental. Ainda persiste o preconceito de que recorrer a um psicólogo é sinal de fragilidade. A equipa defende precisamente o contrário: procurar apoio é um ato de responsabilidade e autocuidado. “Numa sociedade cada vez mais exigente, todos podemos beneficiar de um espaço de escuta. A saúde mental é equilíbrio. E equilíbrio é prevenção”, reforça Manuela Barros.
A filosofia da unidade assenta em princípios de responsabilidade, honestidade, confiança, justiça, equidade e lealdade, valores dos quais a UNiTCARE não prescinde.
A 8 de março, a UNiTCARE assinala cinco anos de atividade. O momento é de celebração, mas também de projeção estratégica. O objetivo passa por consolidar protocolos institucionais, alargar parcerias a escolas, associações e IPSS, e integrar novas valências, como a terapia ocupacional.
A médio prazo, a ambição é clara: afirmar a UNiTCARE como uma estrutura cada vez mais independente do sabiUs, mantendo a matriz de qualidade que lhe deu origem, mas com identidade própria e crescimento sustentável. “Queremos continuar a cuidar de quem nos procura, de forma individual e personalizada. Cada pessoa que entra na UNiTCARE deve sentir-se ouvida, acolhida e tratada como única.”
Sara, coordenadora de processo da UNiTCARE
"Desde 2021 e, ao longo destes anos, já me tornei um rosto de confiança para muitas famílias. É comigo que os pais falam, que fazem as marcações e esclarecem dúvidas. Faço a ponte na comunicação entre as várias partes, organizo processos e também acompanho projetos e parcerias com outras entidades. Trabalhamos todos em rede e isso é fundamental para garantir um acompanhamento mais completo e articulado às crianças, jovens e famílias que nos procuram. A UNiTCARE tem crescido bastante, quer através das parcerias que temos desenvolvido, quer pelo nosso trabalho diário. O serviço de pedopsiquiatria também veio reforçar essa resposta e contribuir para o crescimento e consolidação do projeto".
Dra Maria Luís, pedopsiquiatra na UNiTCARE desde novembro de 2025
"Exerço atividade médica na área da pedopsiquiatria, ou seja, na psiquiatria da infância e da adolescência até aos 18 anos inclusive. Venho uma vez por mês, desde novembro de 2025, acompanhar crianças e jovens que, na sua maioria, são encaminhados pela psicologia. Atendo miúdos com várias patologias do foro psiquiátrico, sendo as mais frequentes as perturbações de hiperatividade e défice de atenção. Nos adolescentes, vejo sobretudo perturbações de ansiedade e quadros da linha depressiva. Também acompanho situações do neurodesenvolvimento, como perturbações do espectro do autismo. A verdade é que os jovens vivem hoje sob uma pressão muito grande, muitas vezes autoimposta. A sociedade exige que se produza, que se mostre, que se faça sempre mais e melhor. É uma ansiedade muito orientada para a produção e, quando sentem que não estão a conseguir corresponder, isso torna-se extremamente aflitivo. Vivemos numa sociedade rápida, imediata, que nos leva facilmente a duvidar se somos suficientes e essa dúvida torna-os particularmente vulneráveis. Tem sido muito gratificante articular o meu trabalho com psicólogos, terapeutas e escolas. Essas conversas são fundamentais para encontrar soluções ajustadas a cada caso. Os professores estão cada vez mais atentos e disponíveis, e tenho gostado muito dessa componente de trabalho em rede. Conversar com quem está ao nosso lado é sempre importante, mas quando surgem dúvidas, a Psicologia deve ser o primeiro passo. Os psicólogos estão muito bem preparados, quer para intervir, quer para perceber quando é necessária uma ajuda psiquiátrica complementar".
Cláudia Pinto, psicóloga na UNiTCARE desde 2020
"Iniciei este projeto em 2020 com a criação da Unidade de Apoio à Aprendizagem (UAA), numa fase mais interna. Com o tempo, percebemos que fazia sentido expandir e investir noutras áreas, e assim nasceu a UNiTCARE. Hoje trabalhamos com crianças, adolescentes e adultos, quer dentro do sabiUs, quer com a comunidade em geral. O nosso trabalho é muito importante não só para os alunos do sabiUs, mas também para o contexto escolar como um todo, porque conseguimos dar resposta às dificuldades que as escolas identificam. Muitas vezes, as dificuldades de aprendizagem não são apenas académicas, têm origem em questões emocionais e o nosso papel passa por fazer esse despiste e intervir de forma adequada. As crianças são, muitas vezes, o sintoma de um problema que existe em casa. Se temos pais mais ansiosos, é natural que isso possa influenciar a criança, não é uma regra, mas existe influência. Por isso, a terapia familiar é uma vertente muito importante do nosso trabalho, porque olhar apenas para a criança, isoladamente, nem sempre resolve a raiz da questão. Desde a pandemia que a ansiedade e as questões emocionais se tornaram predominantes. Sentimos um aumento significativo dessas dificuldades, também muito associadas ao contexto social vivido, incluindo o período da utilização de máscara, que impactou o desenvolvimento social e emocional de muitas crianças e jovens. Aqui temos a vantagem de acompanhar a criança não apenas em consulta, mas também noutros contextos. Conseguimos articular com a escola, observar nas atividades extracurriculares e perceber como é que a criança funciona em diferentes ambientes. Essa visão mais global permite-nos uma intervenção mais completa e ajustada. Um dos maiores preconceitos que ainda existe é a ideia de que só vai ao psicólogo quem é "tolo". Isso não é verdade. A psicologia é algo que vem acrescentar, que nos ajuda a crescer interiormente. Se não olharmos primeiro para nós, dificilmente conseguiremos estar bem no trabalho, na família ou na sociedade. A psicologia é para toda a gente que queira acrescentar e melhorar algo na sua vida".
Diana Moreira, psicóloga na UNiTCARE desde 2023
"Sou psicóloga e integro a equipa desde 2023. O meu objetivo é dar apoio psicológico não só a crianças e jovens, mas também a adultos, através do aconselhamento parental e do acompanhamento individual. Muitas vezes, percebemos que as crianças acabam por ser o sintoma de algo maior, pelo que o nosso trabalho passa por chegar às causas. Vim com esse propósito: trabalhar mais com adultos e também na área da neuropsicologia, procurando uma intervenção mais integrada. Nos adultos, temos notado níveis elevados de ansiedade associados ao ritmo de vida cada vez mais acelerado. Há uma exaustão emocional muito marcada, que em muitos casos evolui para burnout não apenas profissional, mas também parental. Observamos baixa autoestima e uma grande falta de autocuidado. Falamos de gestos simples, como ir a uma esplanada, tomar um café, parar para pensar nas próprias emoções e validar que há dias menos bons e que está tudo bem com isso. Não estamos a trabalhar apenas para crianças e jovens, estamos a trabalhar para a comunidade em geral. Sejam pais ou não, estamos cá para receber as pessoas e promover o desenvolvimento pessoal de cada indivíduo. Nos pais, é muito frequente existir um sentimento de culpa. Querem ser sempre os melhores e sentem dificuldade em encontrar o equilíbrio entre serem rígidos ou permissivos na educação. É importante reforçar que não há respostas certas e iguais para todos; cada caso é um caso e o equilíbrio constrói-se. Há também sinais de alerta a que os pais devem estar atentos no que toca aos filhos: mudanças repentinas de comportamento, tristeza ou ansiedade persistentes, queixas frequentes de dores de barriga ou de cabeça sem causa clínica identificada, regressões em comportamentos já ultrapassados, ou algum isolamento social. Estes podem ser indicadores de que algo precisa de atenção. Atualmente, as crianças e jovens estão muito focados no digital. Muitas vezes confunde-se esta energia constante e impulsividade com perturbações como a hiperatividade e o défice de atenção. É fundamental desconstruir essas ideias. O excesso de redes sociais e até de conteúdos audiovisuais cada vez mais acelerados pode promover dificuldades atencionais sem que exista necessariamente um diagnóstico clínico. Por isso, é tão importante procurar uma equipa multidisciplinar, para avaliar cada situação, compreender a raiz do problema e intervir de forma adequada".
Diana Magalhães, terapeuta da fala na UNiTCARE desde novembro de 2025
"Iniciei o meu trabalho como Terapeuta da Fala em novembro de 2025, acompanhando atualmente cerca de 14 crianças e jovens. O meu foco principal é apoiar no desenvolvimento da leitura e da escrita, assim como trabalhar alterações fonológicas e dificuldades na produção de sons. Estas dificuldades podem ter diferentes origens. Por exemplo, alterações na articulação muitas vezes estão associadas a problemas auditivos durante o desenvolvimento, como otites repetidas, que fazem com que a criança adquira um modelo sonoro incorreto e produza os sons de forma inadequada. Já as dificuldades na leitura e escrita estão frequentemente relacionadas com a consciência fonológica, ou seja, a capacidade de manipular os sons da língua, que é essencial para a alfabetização. Além disso, fatores atencionais, como défices de atenção, também podem interferir no processo de aprendizagem. No meu trabalho, a brincadeira é uma ferramenta essencial. Sabemos que, com crianças, é quase sempre através do brincar que conseguimos que elas aprendam de forma leve e motivadora. Elaboro um plano de intervenção individualizado, adaptado às necessidades de cada criança, com objetivos claros e estratégias lúdicas. Em média, os primeiros resultados começam a notar-se ao fim de dois meses, mas isso varia muito de criança para criança e depende também do envolvimento familiar. O trabalho que é feito em casa é fundamental: a fala deve ser estimulada constantemente, com o modelo correto e exemplos consistentes. É importante que os pais tenham calma e um papel ativo, pois existe sempre solução. Muitos fatores externos podem influenciar o desenvolvimento da linguagem. Por exemplo, o consumo frequente de conteúdos em português do Brasil pode interferir na fonologia. O uso excessivo de telemóveis e vídeos reduz a comunicação direta entre pais e filhos, atrasando a aprendizagem da fala, porque a criança é estimulada a assistir e não a interagir. A pandemia trouxe desafios adicionais. A aprendizagem da fala depende de observar e ouvir modelos corretos, e o uso de máscara foi uma barreira nesse processo. Por isso, tornamos a rotina diária num momento de estímulo e comunicação: uma ida às compras pode ser aproveitada para conversar, explicar o que se está a fazer e estimular a participação da criança. Dessa forma, cada momento do dia se torna uma oportunidade de aprendizagem e de desenvolvimento da linguagem".
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