Do virtuosismo clássico à eletricidade do jazz, a agenda estende-se ainda à tecnologia, às músicas do mundo e a uma forte componente educativa.
A Casa da Música, no Porto, dedica o mês de abril ao ciclo “Abril, Teclas Mil”, uma programação que coloca o piano e os instrumentos de tecla no centro da experiência artística.
Do virtuosismo clássico à eletricidade do jazz, a agenda estende-se ainda à tecnologia, às músicas do mundo e a uma forte componente educativa.
O ciclo de teclas apresenta quatro grandes destaques internacionais que exploram desde o repertório sinfónico até à improvisação contemporânea:
Joseph Moog: O pianista alemão interpreta o Concerto n.º 1 de Brahms, num programa que inclui a Sinfonia n.º 2 de Beethoven e uma abertura de Schumann inspirada em Goethe.
Vadym Kholodenko: O multipremiado pianista estreia-se no Porto com uma proposta audaciosa: a versão para piano do Requiem de Mozart, encerrando com a Sinfonia Fantástica de Berlioz (transcrição de Liszt).
Martin Helmchen: No auge do romantismo, o virtuoso alemão apresenta o monumental Concerto n.º 2 de Brahms, acompanhado pelas Danças Húngaras do mesmo compositor e pela Sinfonia de Câmara n.º 2 de Schoenberg.
Tigran Hamasyan: O arménio traz o seu novo álbum, Manifeste, onde cruza jazz, rock progressivo e folclore arménio com grande profundidade espiritual.
A quarta edição do PEMS (Porto Emerging Music Series) foca-se este ano no tema “Technology as Possibility: Music in the Age of Infinite Choice”, promovendo o encontro entre artistas e investigadores para debater a relação entre música e tecnologia.
A dimensão multicultural da Casa é reforçada por três nomes de peso:
Fuensanta & OJM: Um cruzamento entre o misticismo das florestas mexicanas, jazz e música improvisada.
Tinariwen: Os pioneiros do “blues do deserto” apresentam o novo trabalho, The Hoggar, focado na identidade tuaregue.
Tito Paris: O músico cabo-verdiano apresenta o álbum Quem está aí?, unindo sonoridades de Cabo Verde, Portugal, Brasil e Angola.
O repertório vocal-orquestral ganha voz com a meio-soprano Christel Loetzsch, que interpretará os Kindertotenlieder de Mahler. Sob a direção do maestro Michael Sanderling, a noite completa-se com a Sinfonia n.º 1 de Bruckner. Esta última obra será também alvo de um concerto comentado por Daniel Moreira, explorando a transição do compositor austríaco da música litúrgica para a sinfónica.
O serviço educativo apresenta propostas que cruzam a música com a filosofia e a natureza:
Albert Einstein: Mário João Alves regressa com uma viagem musical e humorística sobre a relatividade.
Modernismo Vienense: Uma oficina inspirada no texto de Adolf Loos, unindo arquitetura e artes visuais.
Amazónia: Uma exploração do imaginário da floresta através das obras de Villa-Lobos e Bach, focada na figura do Uirapuru.