logo-a-verdade.svg
Portugal
Leitura: 4 min

José Luís Carneiro defende que uniu o PS quando “o declínio parecia irreversível”

Recandidato único à liderança do PS apresentou candidatura este sábado, em Lisboa, e afirmou ter recuperado a confiança no partido.

Redação

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, defendeu este sábado, em Lisboa, que a sua liderança permitiu unir o partido numa fase em que o “declínio parecia irreversível”, considerando inaceitáveis posições que procurem dividir socialistas.

Carneiro reivindica missão cumprida

No discurso de apresentação da sua recandidatura ao cargo de secretário-geral - eleições às quais concorre novamente como candidato único - José Luís Carneiro afirmou ter assumido a liderança “com sentido de missão” e garantiu ter cumprido “com zelo” o dever que lhe foi confiado.

“Uni o partido. E além da confiança dos militantes e dos simpatizantes, sinto que contribuí para recuperarmos a confiança de amplos setores da sociedade portuguesa”, declarou.

O atual líder socialista recordou que avançou para a liderança há oito meses, após a saída de Pedro Nuno Santos, num “mandato de natureza intercalar”, justificando a decisão como um “imperativo de consciência e sentido de responsabilidade para com o país”.

“Declínio parecia irreversível”

José Luís Carneiro sustentou que, no momento em que assumiu funções, o PS atravessava uma fase particularmente difícil, comparável à situação vivida por outros partidos socialistas e sociais-democratas europeus.

“Em circunstâncias excecionais da vida democrática, os portugueses estavam a olhar para o PS como uma referência dos valores democráticos e constitucionais, cujo declínio parecia irreversível”, afirmou.

Para o secretário-geral, a recuperação da confiança é determinante para a qualidade da democracia, sublinhando que o partido não pode alimentar divisões internas.

Críticas a divisões internas

Sem mencionar nomes, Carneiro classificou como “inaceitáveis” posições que procurem opor diferentes setores do partido ou da sociedade.

“Os novos contra os velhos, os velhos contra os novos. Os do interior contra os do litoral, do litoral contra o interior. Os rurais contra os urbanos, os urbanos contra os rurais. O povo contra as elites, as elites contra o povo”, enumerou, defendendo uma cultura de coesão interna.

Autárquicas e presidenciais como sinal de recuperação

O líder socialista apontou as eleições autárquicas de outubro como prova de que o partido conseguiu inverter a tendência negativa, defendendo que os resultados demonstraram que “o declínio eleitoral não era irreversível”.

Referiu ainda as eleições presidenciais, salientando que, após duas décadas afastado da Presidência da República, o PS foi capaz de apoiar um único candidato que passou à segunda volta e que acabou por derrotar “os extremismos, os populismos e a demagogia”, numa referência a António José Seguro, sem o mencionar diretamente no discurso.

“Servir o país” com os valores do socialismo democrático

Na apresentação da recandidatura, José Luís Carneiro afirmou que pretende continuar a liderar o PS “para servir o país”, reiterando o compromisso com os valores da liberdade, da igualdade e da solidariedade.

O secretário-geral evocou ainda Mário Soares, defendendo o socialismo democrático “em liberdade” e o equilíbrio entre crescimento económico, criação de riqueza e justiça social.

As eleições internas para a liderança do Partido Socialista decorrem nos próximos meses, com José Luís Carneiro a apresentar-se, para já, como único candidato.