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Sociedade
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Crise Energética: Falta de mão de obra e danos massivos na rede atrasam reposição de eletricidade

Passadas quase duas semanas da tempestade Kristin, muitos clientes permanecem sem energia elétrica em Portugal. De acordo com a CNN Portugal, a demora no restabelecimento deve-se à dimensão "imensa" dos danos e, sobretudo, à escassez de equipas técnicas especializadas para responder a uma catástrofe desta escala.

Redação

Segundo o balanço da E-Redes citado pela CNN, o distrito de Leiria é o mais fustigado, com 26 mil pessoas sem luz, seguindo-se Santarém (6 mil), Castelo Branco (2 mil) e Coimbra (mil). Especialistas ouvidos pela estação de televisão explicam que a complexidade do trabalho de reparação é o principal entrave à celeridade do processo.

Escassez de técnicos e rutura de stock

Jorge Liça, vice-presidente da Ordem dos Engenheiros, explicou à CNN Portugal que o volume de trabalho é desproporcional aos recursos disponíveis. "Há muito trabalho e a quantidade de recursos técnicos especializados é limitada", afirmou, sublinhando que, em situações de catástrofe, os meios humanos de manutenção tornam-se insuficientes.

A esta dificuldade acresce a logística de materiais. O engenheiro José Medeiros Pinto alertou, em declarações à CNN, para uma "rutura de equipamentos específicos", como cadeias de isoladores e cabos, o que prolonga a espera. Embora Jorge Liça considere que materiais como postes e condutores podem ser obtidos em armazéns nacionais ou em Espanha e França, a necessidade de meios pesados, como gruas e retroescavadoras para substituir postes caídos, condiciona as operações.

Diferença para o "apagão de abril"

A análise da CNN Portugal estabelece ainda uma distinção entre o cenário atual e o "apagão" ocorrido em abril. Enquanto no anterior incidente não houve danos físicos na rede, tratando-se apenas de um desequilíbrio entre produção e consumo, a tempestade Kristin provocou a destruição efetiva de infraestruturas, com condutores quebrados e postos de transformação inativos. Segundo José Medeiros Pinto, a sucessão das depressões Leonardo e Marta agravou a situação, tornando o tempo de espera "não estranho" perante tamanha extensão de danos.

Futuro e soluções temporárias

Quanto à prevenção, os especialistas apontam à CNN dois caminhos: tornar as redes aéreas mais resilientes (capazes de suportar ventos até 230 km/h) ou enterrar as linhas em zonas de maior risco, embora esta última solução acarrete custos elevados.

Por agora, o recurso a geradores tem sido a única alternativa, mas a solução é limitada. De acordo com Jorge Liça, o número elevado de consumidores afetados ultrapassa a capacidade e a quantidade de geradores disponíveis no mercado. O presidente da E-Redes, José Ferrari, admitiu à CNN não conseguir, para já, garantir uma data para a reposição total do serviço.