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Vila Nova de Gaia
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Trabalhadores das escolas de Gaia com adesão "fortíssima" à greve contra transferências para IPSS

A greve dos trabalhadores das escolas de Vila Nova de Gaia, que terminou esta sexta-feira, registou uma adesão "fortíssima e muito significativa".

Redação

De acordo com a agência Lusa, que cita o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte, a paralisação serviu para contestar a cedência destes profissionais a Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) durante as pausas letivas.

A paralisação, que teve início na segunda-feira, teve um impacto expressivo no terreno. Embora não tenha avançado com números exatos ou percentagens, a dirigente sindical Lurdes Ribeiro garantiu à Lusa que a mobilização "foi extraordinária e muito grande". Segundo a mesma fonte, registaram-se mesmo locais de trabalho que ficaram sem qualquer funcionário durante a manhã, a tarde, ou até nos dois períodos.

O motivo da contestação: Programa "Gaia Aprende+"

No centro da revolta destes profissionais está o programa municipal "Gaia Aprende+". Esta iniciativa da autarquia visa promover a ocupação dos tempos livres dos alunos durante as interrupções letivas (como o Natal, a Páscoa e as férias de verão), recorrendo, para isso, à transferência dos trabalhadores das escolas para as IPSS do concelho.

Lurdes Ribeiro salienta que os trabalhadores não podem aceitar este "abuso", sublinhando que a classe recusa ser tratada como "pau para toda a obra".

Sentimento de "revolta" contra o executivo municipal

O descontentamento ganha contornos políticos, com o sindicato a apontar baterias ao atual executivo liderado pelo social-democrata Luís Filipe Menezes. A dirigente sindical relata um sentimento de profunda indignação entre os profissionais, que acreditavam que o cenário iria ser revertido com a atual gestão camarária.

"É uma revolta muito grande porque os trabalhadores sentem-se enganados por Luís Filipe Menezes, em quem muitos deles votaram", assinalou Lurdes Ribeiro à Lusa, lembrando que o fim desta prática foi uma promessa assumida pelo atual autarca durante o período de campanha eleitoral.

Câmara em silêncio e novos protestos à vista

Face a este cenário e à adesão em força à greve, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia tem optado por não se pronunciar. A representante sindical acusa a autarquia de continuar "muda e calada" sobre as reivindicações, lamentando que o sindicato só tenha recebido "silêncio" por parte do município. A própria agência Lusa tentou obter uma reação da Câmara de Gaia, mas a autarquia recusou prestar declarações.

Perante o impasse, os trabalhadores prometem não baixar os braços. Para continuar a demonstrar a sua insatisfação, o sindicato revelou que a classe vai organizar uma concentração de protesto à porta da próxima reunião da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia.