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Penafiel
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Ponto C celebra 1.º aniversário de inauguração com balanço positivo e temporada de excelência à porta

O Ponto C, centro de cultura e criatividade de Penafiel, assinalou, a 29 de agosto, o 1.º aniversário de inauguração. Ao longo de 11 meses, o equipamento acolheu 32.448 espectadores, realizou 235 sessões de 161 atividades e recebeu 1.673 artistas, com uma taxa média de ocupação de 72% no auditório e na Casa da Caturra.

Redação

A data foi assinalada com a apresentação do programa comemorativo do aniversário — que terá lugar de 26 a 28 de setembro, com três dias de portas abertas e 24 propostas culturais, e ainda com o anúncio da nova temporada 2025/2026.

Um programa de aniversário para todos os públicos

As comemorações decorrem entre 26 e 28 de setembro e reúnem 24 propostas culturais que vão da música ao teatro, passando pela dança, ópera com marionetas, circo, oficinas, exposições, cinema, debates e espetáculos para o público infantojuvenil. Entre os destaques estão a Companhia Nacional de Bailado com um programa duplo, a ópera de marionetas O Auto dos Zarolhos, os Cassete Pirata, o humor de Carlos Vidal e o encontro Rua das Pretas, projeto lusófono em residência artística.

Daniela Oliveira: “Foi muito mais do que um sonho realizado”

Em jeito de balanço, a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Penafiel, Daniela Oliveira, sublinhou que os resultados alcançados superaram todas as previsões.

“De facto, 32.448 espectadores passaram aqui pelo nosso Ponto C e responderam, não só à nossa expectativa, mas muito mais além disso. Se conseguimos com este edifício artístico trazer aquela necessidade, aquela lacuna que faltava aqui no nosso concelho e na nossa região, conseguimos muito mais do que isso. Foi muito mais do que um sonho realizado”, afirmou.

A autarca destacou ainda a adesão do público penafidelense, mas também de visitantes de fora da região. “Trazemos até aqui, até Penafiel, quem diria, espetadores que vêm fora do distrito, até do Porto, que acolhem e que escolhem Penafiel para virem até ao nosso Ponto C, pela disponibilidade e diversidade da nossa programação artística”, acrescentou.

Para Daniela Oliveira, o envolvimento da comunidade tem sido a chave do sucesso. “Não é preciso ser profissional artístico para poder participar nos nossos programas. Queremos que o Ponto C seja sentido como casa, como espaço vivo de comunidade. E isso tem acontecido: muitas pessoas dizem-nos que se sentem aqui como em família”, frisou.

A vereadora lembrou também a aposta na valorização dos artistas locais e das associações juvenis e culturais do concelho. “Queremos dar palco aos nossos artistas, às nossas bandas de música, aos ranchos, às associações. E queremos, sobretudo, que os jovens não precisem de sair de Penafiel para criar e contribuir para a vida cultural. Por isso, damos curadoria e protagonismo a associações como a Cavalum e a 140, que estão connosco desde a primeira hora”, salientou.

Mónica Guerreiro: “A expectativa era muito mais comedida”

A diretora artística do Ponto C, Mónica Guerreiro, admitiu que os resultados do primeiro ano superaram largamente as expectativas iniciais.
“Sou muito franca. A expectativa não era esta, era bastante mais comedida, na medida em que nós estamos a iniciar de raiz. Não vim trabalhar para um equipamento que já tivesse práticas instaladas. Por isso, os números para os quais tínhamos apontado eram bastante mais baixos, particularmente na programação do auditório, que é de excelência e exigência”, explicou.

A responsável atribui o sucesso à qualidade da programação e também a uma política de bilheteira acessível. “Tivemos muita coisa esgotada, ao ponto de se criar quase um mito urbano de que no Ponto C não vale a pena ir porque está tudo esgotado. Não é verdade, mas é um bom sinal: há muita procura e isso, num primeiro ano, é motivo de orgulho”, disse.

Mónica Guerreiro destacou ainda a importância da articulação com outros equipamentos culturais da região. “Quer em relação a Lousada, a Paredes, a Amarante ou até Vila Real, temos essa preocupação de trabalhar em complementaridade. Não repetimos espetáculos e tentamos alinhar agendas para oferecer diversidade. Não somos concorrentes, trabalhamos para a mesma comunidade de públicos”, garantiu.

Nova temporada com três grandes eixos

Na sessão foi também apresentada a temporada 2025/2026, que assenta em três novos pilares temáticos: Singularidades, dedicado à individualidade nas artes; Primeiro como tragédia, depois como farsa, em torno da repetição da história e das suas leituras; e Saúde (e doença) mental, para debater o bem-estar para além do físico.

De outubro a dezembro, a programação inclui nomes como Bonnie ‘Prince’ Billy, Castello Branco, Clã, Carlos Bica, Líquen, Quelle Dead Gazelle ou Colinas, bem como peças de teatro como O amor é fodido, Quem Matou o Meu Pai ou Maráia Quéri. Na dança, Vera Mantero e O Quebra Nozes marcam presença, a que se junta o novo circo com Liberdade Liberdade e a exposição Metade dos Minutos.

A temporada traz ainda novas residências artísticas, oficinas e o reforço do Clube C, espaço de encontro da comunidade mais assídua.

“Portas abertas para a comunidade”

Para Daniela Oliveira, o Ponto C distingue-se por ser um equipamento de “portas e janelas abertas”. A iniciativa Ponto C Fora de Portas vai continuar a levar espetáculos às freguesias, promovendo a acessibilidade cultural. “Queremos, pelo menos uma vez por mês, levar o Ponto C até à população. Foi o caso do Playground, circo aquático que apresentámos em Eja, e queremos dar continuidade a este caminho”, anunciou.