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Portugal
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Portugueses têm menos amigos do que há uma década: Jovens e estratos desfavorecidos são os mais afetados

Um estudo do ISCTE, divulgado esta sexta-feira, 10 de abril, revela que os portugueses têm hoje menos amigos do que há dez anos.

Redação

A investigação, intitulada "A Amizade em Portugal - Como é? O que Mudou?", conclui que a redução do número de amigos íntimos, o aumento da solidão e a diminuição da integração social são tendências claras, afetando de forma mais severa os jovens e as populações com menores rendimentos.

O Retrato da Solidão: Tendências 2015-2025

Ao comparar os dados de 2015 com os recolhidos no ano passado, a coordenadora do estudo, Luísa Lima, aponta para uma mudança drástica nos relacionamentos pós-pandemia. Apesar da evidência estatística, 60% dos inquiridos não tem a perceção desta mudança, acreditando que os seus relacionamentos se mantiveram inalterados.

Os grupos mais vulneráveis ao isolamento incluem:

  • Jovens: Sentem-se mais sós e reduziram o círculo de amizades íntimas;

  • Estratos de Baixo Rendimento: São os que mais perderam em capital social e bem-estar;

  • Precários e Desempregados: Apresentam taxas de solidão de 24% e 39%, respetivamente, contra os 18% observados em pessoas com contratos estáveis.

Fatores Estruturais e Desigualdade Social

O estudo sublinha que a solidão não depende apenas de variáveis pessoais, mas de causas estruturais. O sentimento de isolamento é significativamente maior em grupos socialmente desvalorizados:

  • Pessoas mais pobres: 43% (em contraste com 13% entre os mais ricos);

  • Comunidade LGBT+: 35% (face a 21% entre heterossexuais);

  • Pessoas que vivem sozinhas: 33% (comparado com 20% das que vivem acompanhadas).

Saúde Pública e Recomendações Políticas

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já classifica a solidão como um problema de saúde pública. De acordo com os investigadores, ter bons amigos é mais determinante para a felicidade do que os relacionamentos familiares, estando diretamente ligado a melhores níveis de saúde física e mental.

Perante estes resultados, o ISCTE defende a necessidade urgente de políticas públicas, nomeadamente ao nível da Administração Local, que promovam a remoção de obstáculos económicos ao convívio. A principal recomendação passa pela criação de espaços públicos de convívio com qualidade, onde a frequência não implique gastos financeiros, permitindo aos grupos mais precários e jovens retomar as práticas sociais perdidas desde 2020.