Na sua evolução de vila de risco ao meio, para cidade o Marco ficou órfão do conceito de urbe.

No consulado de Avelino em que vila engordou sem nunca se pensar como cidade , utilizo a expressão para dar contexto temporal e não para tecer juízo de valor sobre o personagem, que não foi melhor nem pior do que os seus contemporâneos, apenas mais colorido do que a média. A cidade do Marco evolui de uma vila de província para uma cidade, sem nunca ter feito a distinção entre rua e estrada, excepto na toponímia.

Mas, o diagnostico não cura o paciente. Para tal devemos de interiorizar o conceito de estrada e de rua, e quais os seus propósitos.

Se o propósito da cidade é ser um subúrbio do Porto, onde se valoriza a facilidade de oscilar entre a cama e a mesa, então estradas, muitas.

Caso se decida que o Marco deva ser um pólo urbano autónomo e uma comunidade com personalidade social, então devemos começar a distinguir entre as ruas para a comunidade e as estradas para fluxo de bens.

Sendo defensor da segunda opção, devo notar que os defensores do conceito subúrbio também estão mal servidos, visto que as "estruas" (a criatura costurada com estradas e ruas) que temos não servem a ninguém.

Mas tentando não impor as minhas preferências pessoais e estéticas sobre a comunidade, gostaria de propor uma discussão:

Qual o modelo de cidade para o futuro?

O que é uma rua e o que é uma estrada. Que tipo de estruturas urbanas podem e ou devem existir em cada uma?

Mas este chorrilho democrático, fica refém do meu narcisismo, claro que a intenção é influenciar os meus concidadãos para uma urbe moderna com uma estética sóbria, sem demonizar o automóvel (coisa que me agrada de sobremaneira) .

Por isso gostaria de ruas com passeios largos e faixas de rodagem estreitas, e especialmente que não levem a lado nenhum, (excepto às proverbiais estradas).

Gostaria também, sem cercear a liberdade criativa dos arquitectos, que os volumes e funções dos edifícios tenham propósito social, em função da sua localização e horários de utilização.

E especialmente gostaria de uma cidade sem outdoors nas estruas, é tão… parolo porra!

Artur Pereira