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Portugal
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Saúde: Autocuidados poupam 9,6 mil milhões de euros, mas literacia em Portugal é insuficiente

Um estudo da Apifarma apresentado esta quarta-feira, em Lisboa, revela que a adoção de autocuidados poupa 9,6 mil milhões de euros, mas a literacia é fraca.

Redação

A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) apresentou, esta quarta-feira, dia 6 de maio, um estudo em Lisboa focado no impacto económico e social da gestão autónoma da saúde. O documento sublinha que "a adoção de autocuidados permite uma poupança anual estimada em 9,6 mil milhões de euros". Os resultados evidenciam os desafios diários vividos também nos hospitais e centros de saúde da região Norte, afetando diretamente territórios densamente povoados e o dia a dia da comunidade marcoense.

Os especialistas clarificam que "os autocuidados não se posicionam como uma alternativa indiscriminada aos cuidados médicos", assumindo-se antes "como parte de um modelo mais eficiente de utilização dos recursos de saúde". A fatia financeira poupada tem um impacto tremendo: "quando extrapolado para a população, o autocuidado já gera uma poupança anual estimada de cerca de 9,6 mil milhões de euros, dos quais 47% correspondem a custos evitados para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e 53% a despesas evitadas pelos cidadãos".

De acordo com a mesma análise, "cada aumento de um ponto percentual na adoção de autocuidados poderá gerar cerca de 239 milhões de euros adicionais por ano".

Reduzir a pressão nos centros de saúde e urgências

O estudo foca-se essencialmente em "problemas de saúde ligeiros e de curta duração, que não exigem diagnóstico médico nem intervenção clínica intensiva". Ao nível do sistema público, "estima-se que cerca de 39% das consultas de medicina geral e familiar poderiam ser geridas através de autocuidado". Esta alteração comportamental resultaria num "potencial relevante de otimização da utilização" de recursos e numa forte "melhoria da capacidade de resposta".

Os dados de 2023 mostram que "Portugal apresentou a taxa mais elevada de utilização dos serviços de urgência da União Europeia". Uma "parte significativa destes episódios" correspondeu "a situações não urgentes, refletindo dificuldades de acesso", mas também evidentes "desafios ao nível da literacia em saúde e da capacidade de reconhecer situações que efetivamente requerem cuidados diferenciados".

Através do apoio fundamental de um farmacêutico, a resposta primária em casa atua de forma crucial para "reduzir a pressão sobre os cuidados de saúde primários e os serviços de urgência".

Ganhos na produtividade e eficácia dos tratamentos autónomos

A investigação envolveu "três inquéritos distintos dirigidos à população em geral (amostra de 2.671 pessoas), a médicos de medicina geral e familiar (203) e a farmacêuticos comunitários (192)". Para o mercado de trabalho, a conclusão é clara: "os autocuidados contribuíram para ganhos ao nível do tempo e da produtividade, refletidos numa taxa de absentismo de 7%, significativamente inferior à de 36% do recurso ao médico".

A nível nacional, "55% das pessoas optam por esta abordagem como primeira resposta", provando a sua eficácia prática, uma vez que "em 79% dos casos, os sintomas são totalmente resolvidos e apenas 1% necessita de recorrer posteriormente ao médico".

No inquérito, "92% dos inquiridos reportaram ter tido pelo menos um problema de saúde ligeiro no último ano". As maleitas mais comuns foram "a constipação, gripe ou tosse, reportada por cerca de metade dos inquiridos, seguida de dor de cabeça ou enxaqueca e de dores musculares ou articulares", além de episódios de "stress ligeiro e a irritação ou dor de garganta".

Melhorar a literacia para garantir o futuro do sistema

Apesar da "base favorável", a Apifarma alerta que "persistem limitações que condicionam o desenvolvimento pleno dos autocuidados em Portugal". Entre as principais barreiras estão a "ausência de modelos estruturados de intervenção farmacêutica e níveis ainda insuficientes de literacia em saúde".

A associação defende que "o reforço dos autocuidados exige uma abordagem integrada", exigindo um investimento sério "no desenvolvimento da literacia em saúde, enquanto fator crítico de capacitação dos cidadãos".

O relatório conclui vincando que "o momento atual apresenta uma oportunidade clara para evoluir de um modelo onde o autocuidado existe de forma dispersa para um modelo onde é reconhecido, estruturado e integrado no sistema de saúde", comportando-se como "uma alavanca efetiva de eficiência, sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida da população".