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Desporto
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FC Paços de Ferreira leva venda parcial da SAD a votos e fala em “questão de sobrevivência”

Presidente Rui Abreu defende entrada de investidores estrangeiros como solução para evitar risco financeiro e garantir futuro do clube.

O presidente do FC Paços de Ferreira, Rui Abreu, afirmou, esta quinta-feira, 9 de abril, que a proposta de venda faseada do capital da futura SAD será em breve submetida à votação dos sócios, considerando-a decisiva para assegurar a sobrevivência do clube.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente assumiu reservas pessoais quanto ao modelo, mas não deixou dúvidas quanto à necessidade da medida: “Não sou o maior fã de SAD, mas, do ponto de vista do clube, para o Paços de Ferreira esta é uma questão de sobrevivência. Esta solução permite repor o equilíbrio financeiro, terminar a época com tranquilidade e evitar o risco de não inscrever a equipa na próxima temporada”.

Rui Abreu alertou para a gravidade da situação atual, defendendo que a manutenção do modelo vigente não é viável. 

“Não é possível manter o clube nos moldes atuais e gerir as poucas receitas fora do futebol profissional, por exemplo, com o passivo existente. Vai ser definhar até morrer”, advertiu, sublinhando a urgência em encontrar soluções para um problema que classificou como “grande”.

A proposta, que será discutida numa Assembleia Geral extraordinária agendada para 21 de abril, prevê a venda gradual do capital social da SAD a investidores estrangeiros, maioritariamente oriundos da América do Sul, após a transformação da SDUQ. 

Numa primeira fase, está prevista a alienação de 49,90% do capital, podendo essa participação atingir um máximo de 80% nos anos seguintes.

O presidente explicou que a identidade dos investidores será revelada apenas na reunião magna, por respeito aos associados. Ainda assim, garantiu que o interesse se mantém independentemente do desfecho desportivo da temporada, admitindo apenas eventuais ajustes ao modelo caso o clube não assegure a permanência nos campeonatos profissionais.

As negociações com potenciais investidores decorrem desde dezembro de 2025, na sequência da rescisão com a Matchpoint, empresa de Luiz Meira, devido ao incumprimento de garantias bancárias e do pagamento acordado. 

“Tivemos uma série de reuniões com diferentes investidores e a todos foi enviado o mesmo documento, que previa desde logo a venda total do capital social. Este modelo é ligeiramente diferente dos restantes, mas vai ao encontro de algumas premissas, como o controlo da formação por parte do clube”, explicou.

Nesse âmbito, a estrutura diretiva pretende manter sob alçada do clube a formação, com exceção da equipa de sub-19, que integra os planos dos investidores. Existe também intenção de avançar com uma equipa de sub-23, ainda dependente dos prazos de licenciamento.

Rui Abreu apontou como objetivo o regresso à I Liga, embora sem metas imediatas. “A médio prazo, existe a vontade de lutar pelo regresso do Paços à I Liga. Mas, reforço esta ideia, será a médio prazo e não no imediato”, afirmou, demonstrando confiança na aprovação da proposta pelos sócios.

O dirigente deixou ainda um aviso claro quanto às consequências de uma eventual rejeição: “Caso os sócios não validem esta solução para um problema que é grande, a direção terá de tirar ilações, porque, do ponto de vista do clube, pode estar em causa a sobrevivência”.

A seis jornadas do final da II Liga, o FC Paços de Ferreira ocupa o 15.º lugar, com um ponto de vantagem sobre o Portimonense, que está em posição de 'play-off', dois sobre o Farense e quatro face à Oliveirense, ambos em zona de descida direta.