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Baião
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FELIBA encerra em Baião com "balanço positivo" e apelo à valorização da literatura e do pensamento crítico

A Feira do Livro de Baião (FELIBA) encerrou este sábado, 23 de maio, após três dias dedicados à promoção da leitura, da cultura e da valorização do património literário do concelho.

Redação

O certame reuniu autores, leitores, escolas e comunidade em torno dos livros e do debate de ideias, afirmando-se como um espaço de encontro cultural e educativo.

Na sessão de encerramento, a presidente da Câmara Municipal de Baião, Ana Raquel Azevedo, destacou a importância da leitura numa sociedade marcada pela insegurança e pela rapidez tecnológica, defendendo que “promover a leitura é mais importante do que nunca”.

“Ler continua a ser uma das formas mais bonitas de crescer, de aprender e de ser um pilar estrutural no tão falado elevador social”, afirmou a autarca, sublinhando também a capacidade transformadora dos livros. “Ler ensina-nos a imaginar, a sonhar com mundos novos, a questionar, a interpretar o mundo e, sobretudo, a sentir. Nenhum algoritmo substituirá verdadeiramente essa experiência”, acrescentou.

Naquela que foi a sua primeira participação na FELIBA enquanto presidente da autarquia, Ana Raquel Azevedo partilhou memórias pessoais ligadas à leitura, recordando a infância rodeada de livros e o entusiasmo com obras como Harry Potter ou “Os Maias”, de Eça de Queiroz.

“Acredito sinceramente que muito daquilo que sou hoje também foi construído através da leitura, pela curiosidade que desperta, pela capacidade de imaginar e pela descoberta”, referiu, defendendo que o gosto pela leitura adquirido em criança “fica para a vida toda”.

A presidente da câmara considerou ainda que a FELIBA “não é apenas uma feira do livro”, mas “um espaço de encontro com histórias, ideias, criatividade e pensamento”, assumindo-se também como “um investimento na educação das crianças e dos jovens e nos seus hábitos de leitura”.

Durante a intervenção, a autarca reforçou a ligação histórica de Baião à literatura portuguesa, lembrando nomes como António Mota, Eça de Queiroz e Soeiro Pereira Gomes, além das referências literárias de Camilo Castelo Branco e Agostina Bessa-Luís associadas ao território.

“Ter este imenso património literário representa também uma responsabilidade: preservar, estudar, divulgar e fazer chegar estas referências às novas gerações”, afirmou.

Ana Raquel Azevedo garantiu ainda que o novo executivo municipal pretende continuar a apostar na cultura e na educação, defendendo “uma cultura acessível a todos, sem barreiras e sem elitismos”.

No final da sessão, a presidente da Câmara citou “A Cidade e as Serras”, de Eça de Queiroz, evocando a ligação do escritor à região e deixando uma mensagem de continuidade para o evento: “Que a FELIBA continue a crescer, a despertar leitores e a lembrar-nos que os livros continuam a ser uma das formas mais bonitas de transformar o mundo.”

Leitura é “essencial para formar cidadãos livres”, defende Alberto Santos em Baião

O secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, defendeu no encerramento da Feira do Livro de Baião (FELIBA), a importância da leitura e da literatura como ferramentas fundamentais para o desenvolvimento do pensamento crítico e da liberdade individual, alertando para os perigos da desinformação e da influência das redes sociais.

Na intervenção realizada na sessão de encerramento do certame, Alberto Santos considerou que a promoção da leitura deve ser uma responsabilidade coletiva, envolvendo não apenas o Estado e as políticas culturais, mas também famílias, professores, bibliotecas, mediadores culturais e autarquias.

“Não podemos exigir que sejam apenas o Estado, os governos ou os responsáveis das políticas culturais a chegar aos territórios e a todas as pessoas. Cabe-nos a todos”, afirmou.

O governante destacou o papel das autarquias na aproximação da cultura às populações, sublinhando a importância de iniciativas como a FELIBA na ligação entre autores, escolas, alunos e leitores.

“As autarquias têm este papel relevante de estarem mais próximas das populações e, a partir daí, ativarem iniciativas que estimulem e convoquem todos para esta questão da leitura e da literatura”, referiu, felicitando o Município de Baião pela organização do evento.

Durante o discurso, Alberto Santos recordou também a forte ligação de Baião à literatura portuguesa, evocando nomes como Eça de Queiroz e António Mota, considerando que o território possui “uma riqueza muito especial em termos literários e artísticos”.

A propósito de “A Cidade e as Serras”, de Eça de Queiroz, o secretário de Estado defendeu que a obra continua atual perante os desafios da sociedade contemporânea e da aceleração tecnológica.

“Vivemos hoje num tempo em que muitas vezes vale mais uma mentira repetida nas redes sociais do que a verdade dos factos”, afirmou, alertando para aquilo que classificou como “a ditadura dos algoritmos”.

“Estamos constantemente a ser influenciados invisivelmente por tecnologias que procuram condicionar aquilo que pensamos, consumimos ou defendemos”, acrescentou.

Para Alberto Santos, os livros continuam a desempenhar um papel essencial na construção de cidadãos mais conscientes e livres. “A leitura entretém, ensina e emociona. Mas, acima de tudo, ajuda-nos a desenvolver pensamento crítico e a formar a nossa própria opinião sobre o mundo”, salientou.

O secretário de Estado considerou ainda que os livros oferecem algo que a sociedade atual tende a perder: tempo para reflexão e capacidade de abstração.

“Os livros trazem-nos tempo, capacidade de abstração e até solidão no sentido positivo, o encontro connosco próprios. E isso ajuda-nos a preservar aquilo que é mais importante: a liberdade individual de sermos aquilo que somos e não aquilo que nos querem impor”, concluiu.