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Sociedade
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Alerta global: Reservas comerciais de petróleo vão esgotar-se em poucas semanas

O diretor da AIE alertou esta segunda-feira, em Paris, que as reservas comerciais de petróleo se vão esgotar em semanas devido ao fecho de Ormuz.

Redação

A "almofada" das reservas comerciais de petróleo acumuladas a nível global antes da instabilidade geopolítica está em contagem decrescente. O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, advertiu esta segunda-feira, 18 de maio de 2026, que este stock estratégico se vai esgotar numa questão de semanas, como consequência direta da guerra no Médio Oriente e do bloqueio à navegação marítima internacional.

À margem do primeiro dia da reunião dos ministros das Finanças do G7, que decorre em Paris até terça-feira, Birol foi taxativo ao afirmar que as reservas “estão a esgotar-se muito rapidamente”. Questionado sobre a margem temporal restante para travar um colapso na oferta, o responsável clarificou que “ainda restam várias semanas, mas devemos estar cientes de que está a diminuir rapidamente”, apelando a uma tomada de consciência global sobre a gravidade da situação.

Bloqueio no Estreito de Ormuz retém milhões de barris diários

O nó górdio desta crise reside no Médio Oriente. De acordo com o último relatório mensal da AIE, publicado na semana passada, o encerramento do estreito de Ormuz já privou o mercado global de “mais de mil milhões de barris dos países do golfo Pérsico”. Em termos operacionais, isto significa que ficaram retidos, sem qualquer possibilidade de escoamento por via marítima, “mais de 14 milhões de barris por dia”.

Embora a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estejam a conseguir mitigar parcialmente o impacto, recorrendo a rotas alternativas — especificamente através de oleodutos que contornam o estreito — e outros países produtores noutras regiões do mundo tenham aumentado as extrações, o esforço revela-se insuficiente. Entre março e abril, as reservas mundiais contraíram-se em 250 milhões de barris, o que se traduz num ritmo de declínio acentuado de quatro milhões de barris diários.

Birol recordou que, antes da eclosão da guerra no Médio Oriente, a situação no mercado era de excesso de petróleo, fixando-se cerca de 2,5 milhões de barris diários acima da procura. Contudo, o diretor executivo da AIE alertou de forma clara que essas margens “não são infinitas e as reservas comerciais estão a diminuir rapidamente”.

Impacto na inflação e reflexos na economia do Norte

O calendário internacional agrava as perspetivas económicas. Com a aproximação do verão no hemisfério norte, inicia-se a temporada de viagens e o ciclo de cultivo agrícola, períodos caracterizados por um aumento estrutural no consumo de combustíveis e também de fertilizantes. A conjugação destes elementos ameaça elevar os preços da energia e da produção alimentar, um cenário que pode ter “importantes repercussões” e “impulsionar significativamente” a inflação global.

Para as empresas e famílias do distrito do Porto, este agravamento traduzir-se-á numa pressão adicional sobre os custos de vida e de produção, uma realidade à qual a comunidade marcoense e o tecido empresarial do Norte do país estão particularmente expostos devido à dependência externa de matérias-primas.

Perante a iminência de rutura, os países que integram a AIE avaliam novas medidas de emergência. Em março, estas nações decidiram coletivamente colocar no mercado “mais de 400 milhões de barris de petróleo das suas reservas estratégicas” para travar a especulação e acalmar as tensões. Esta intervenção poderá ser reeditada caso o bloqueio persista. À chegada à reunião do G7, o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, garantiu a prontidão dos aliados: “Se for necessário fazê-lo novamente nos próximos meses, faremos”.

A agência estima ainda no seu relatório que a crise desencadeada pelo encerramento de Ormuz e o consequente aumento de preços vai resultar numa diminuição da procura mundial de petróleo este ano de 420.000 barris diários, um dado que contrasta dramaticamente com o aumento de 1,3 milhões de barris diários nas previsões que tinham sido feitas antes do início do conflito armado.