O que começou por curiosidade, inspirado pelas memórias do avô Manel, transformou-se numa romaria que, muitas vezes, só termina às dez da noite. Quem passa pelo número 89 da Rua Alto da Sanguinha, em Meinedo (Lousada), dificilmente imagina o mundo que se esconde por trás do portão da garagem.
Ali, longe das luzes artificiais dos centros comerciais, respira-se uma tradição antiga, mantida viva não por um artesão de cabelos brancos, mas por um adolescente de 17 anos.
Rúben Sousa é um jovem "fora do baralho". Enquanto a maioria da sua geração se perde nas redes sociais, ele conta peças de barro, musgo e figuras articuladas. Este ano, são 800 as peças que compõem o imaginário que decidiu partilhar com a comunidade. "No ano passado eram 400, este ano são 800. Acrescentámos um bom pedaço", conta, com a naturalidade de quem vê no crescimento do presépio o crescimento da sua própria ambição artística.
