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Portugal
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Leão XIV virá “de certeza” a Fátima, falta avaliar agenda

Em entrevista à agência Lusa este sábado, 21 de março, o núncio apostólico em Lisboa, Andrés Carrascosa Coso, garantiu que o Papa Leão XIV visitará o Santuário de Fátima.

Redação

Embora a data exata ainda dependa da complexa agenda de viagens do líder da Igreja Católica, o representante da Santa Sé foi categórico: “Que ele vai vir, vai vir, pode ter certeza”.

O diplomata recordou um encontro pessoal com o Pontífice no qual, ao ser questionado sobre Fátima, Leão XIV respondeu prontamente: “Eu vou”.

Um início marcado pela proximidade e pelas crises naturais

Andrés Carrascosa Coso, o primeiro espanhol na história da Igreja a assumir o cargo de núncio em Portugal, aterrou em Lisboa no início do ano, num momento crítico para o país. A sua chegada coincidiu com os estragos provocados pela depressão Kristin no centro de Portugal.

Numa rutura com a tradição de distanciamento que costuma caracterizar os núncios no país, Carrascosa Coso deslocou-se imediatamente às zonas afetadas em Leiria após apresentar as suas credenciais ao Estado português.

  • Objetivo: Demonstrar que o representante do Papa se interessa e está presente.

  • Método: Atitude de escuta e acompanhamento junto de bispos, movimentos e fiéis.

  • Língua: O diplomata utiliza o português, idioma que aperfeiçoou durante a sua passagem pelo Brasil.

O diagnóstico da Igreja: Europa vs. América Latina

Após cinco anos como núncio no Equador, Carrascosa Coso traçou um paralelo entre a realidade católica europeia e a latino-americana:

  • América Latina: Uma Igreja mais jovem, com a vitalidade e os desafios próprios da juventude.

  • Europa: Uma Igreja "um pouco mais cansada", muito assente em tradições seculares.

O núncio alertou que, se a Igreja Europeia se focar apenas nas tradições de séculos, corre o risco de ser absorvida pela secularização. A solução, defende, passa por um regresso ao anúncio do Evangelho e por um esforço para que a fé ganhe raízes na vida concreta dos crentes.

Religião e Política: O alerta contra o discurso de ódio

Apesar de ser espanhol e de reconhecer o adágio popular "de Espanha nem bom vento nem bom casamento", o núncio afirmou ter sido calorosamente acolhido e prometeu um caminho conjunto com a hierarquia portuguesa.

No plano social, o diplomata elogiou o recente comunicado da Comissão Nacional de Justiça e Paz, emitido nas vésperas das eleições presidenciais portuguesas. Carrascosa Coso destacou a serenidade do aviso contra a instrumentalização da religião para promover o discurso de ódio, reforçando a importância de manter a fé separada de estratégias políticas de divisão.