Solteira, sem filhos e natural de Rio de Galinhas (Marco), Bininha começou a trabalhar muito nova. Passou 21 anos numa fábrica de papel, seguiu depois para França, onde trabalhou num hotel, e regressou a Portugal já reformada, aos 52 anos. Foi nesse regresso que percebeu que ainda tinha muito para dar aos outros e decidiu dedicar-se ao voluntariado.
Durante cerca de 16 anos esteve ligada à Escola EB1 da Barroca, onde trabalhou com crianças. A pandemia da Covid-19 acabou por interromper essa etapa, mas não a sua vontade de continuar ativa. Há cerca de quatro anos, encontrou na Associação Alegria de Crescer um novo espaço para prosseguir aquilo que assume ser a sua missão diária. “Não gosto de estar parada”, afirma com convicção. Todos os dias começa a manhã com uma caminhada para manter as pernas ativas. No inverno, adapta o exercício ao espaço de casa, contando passadas para se manter em movimento. Depois, segue para o local onde diz sentir-se verdadeiramente feliz: a Alegria de Crescer.
À chegada às instalações, há um gesto que se repete diariamente e que simboliza o orgulho que sente no papel que desempenha: Bininha coloca o seu crachá identificativo, onde se lê “Bininha – Voluntária”. Exibe-o com satisfação, como quem assume, com simplicidade, uma função que considera essencial na sua vida. Só depois começa o dia, sempre disponível para ajudar no que for preciso.
Ajuda a pôr e a arrumar mesas, apoia nas refeições, colabora nas atividades manuais, incentiva os utentes e distribui carinho. “Aqui faço tudo por amor”, resume.
Filha do meio de uma família de sete irmãos – dos quais apenas um está vivo, a residir em França –, Bininha vive sozinha. Confessa que os fins de semana são os dias mais difíceis. “São mais vazios”, admite. Ao domingo mantém uma rotina que lhe dá algum conforto: almoça em casa de uma amiga, vai à missa e espera o telefonema da sobrinha e afilhada, que lhe liga de Lyon, em França. Ainda assim, é a chegada de segunda-feira que mais a anima. É o regresso ao convívio diário e ao voluntariado que considera a sua “razão de viver”.
