Segundo a instituição, o número de ocorrências registou um aumento superior a 30% no último ano, reforçando a necessidade de uma vigilância apertada e de comportamentos responsáveis por parte da população.
No âmbito das celebrações do Dia Mundial da Árvore e da Floresta, que se assinala este sábado, 21 de março de 2026, a Guarda Nacional Republicana (GNR) emitiu um comunicado de alerta face ao agravamento dos indicadores de incêndios rurais em Portugal.
Segundo a instituição, o número de ocorrências registou um aumento superior a 30% no último ano, reforçando a necessidade de uma vigilância apertada e de comportamentos responsáveis por parte da população.
Os dados operacionais revelam uma tendência crescente na pressão sobre o território florestal:
Incêndios Rurais: Em 2025, registaram-se 8.278 ocorrências, um aumento de aproximadamente 31% face às 6.304 registadas em 2024.
Deteção Precoce: O sistema de vigilância da Guarda emitiu 12.113 alertas em 2025, o que representa uma subida de 35% em comparação com o ano anterior (8.955 alertas).
Detenções em 2026: Só nos primeiros três meses deste ano (até 19 de março), a GNR já procedeu à detenção de 10 indivíduos pelo crime de incêndio florestal.
O combate aos incêndios tem sido marcado por um esforço acrescido da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS). Em 2025, foram realizadas 4.882 missões de Ataque Inicial, um incremento de 34% em relação a 2024.
O que é o Ataque Inicial (ATI)? Conforme definido no Plano Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2026, o ATI compreende todas as ações de combate realizadas nos primeiros 90 minutos após o alerta. O sucesso desta fase é determinante para evitar que o incêndio ganhe dimensões incontroláveis.
Um dos pontos críticos identificados pela GNR prende-se com a limpeza de terrenos. Apesar das ações de fiscalização e sensibilização, uma parte considerável dos proprietários continua a não assegurar a gestão de combustível:
Em 2025, foram fiscalizados 10.417 locais em situação irregular.
Apenas 6.189 situações foram regularizadas voluntariamente após a sinalização da Guarda.
Isto significa que cerca de 40% dos terrenos sinalizados permanecem por limpar, elevando o risco de propagação de fogos.
A GNR tem também reforçado o controlo sobre a regeneração e a saúde das florestas portuguesas:
Arborização e Rearborização: As ações de fiscalização nesta área aumentaram 35,9%, passando de 348 em 2024 para 473 em 2025.
Nemátodo da Madeira do Pinheiro: Para travar esta praga severa, a Guarda realizou 17.868 controlos rodoviários a viaturas de transporte de madeira de coníferas durante o último ano.
A floresta ocupa mais de um terço do território nacional e é vital para a regulação do ciclo hidrológico, conservação da biodiversidade e sequestro de carbono. Contudo, a GNR sublinha que a maioria dos incêndios ainda resulta de comportamentos negligentes, como queimas e queimadas de sobrantes sem o devido enquadramento legal.
A Guarda Nacional Republicana apela, assim, a uma cultura de responsabilidade coletiva, lembrando que proteger a floresta é um dever de todos para garantir a segurança de pessoas, bens e do património natural.