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Amarante
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Amarante: Deputado do Livre Jorge Pinto será candidato às presidenciais de 2026

O deputado amarantino do Livre Jorge Pinto vai candidatar-se às eleições presidenciais de janeiro de 2026.

Redação

Numa comunicação interna, após ter enviado uma mensagem aos militantes e apoiantes do partido, Jorge Pinto afirma querer, com esta candidatura, “continuar a contribuir para que o Livre continue a ser o partido das utopias concretas”, sublinhando que tomou a decisão “após muita reflexão e excluída a possibilidade de existência de uma candidatura única e agregadora à esquerda”. Argumenta ainda que “o espaço político da esquerda ecologista, progressista, europeísta, regionalista e libertária não pode ficar sem representação”.

O deputado defende que, “mais de 50 anos após Abril e o início da II República, os seus ideais, princípios e valores estão sob ataque”, destacando a importância histórica da próxima eleição presidencial. Considera ser “obrigação de todos uma reflexão sobre o papel que queremos desempenhar” e alerta que só “indo a jogo” será possível influenciar o debate, que poderá envolver temas como “uma eventual revisão constitucional feita pelas direitas” e “uma eventual eleição legislativa onde o Chega seja o partido mais votado”.

Com “consciência da dimensão do desafio”, Jorge Pinto afirma estar confiante de que esta é “a decisão certa”, sustentando que “o momento histórico a isso obriga”. Pede ainda o apoio dos militantes do Livre, depois de terem surgido notícias de que o partido deveria apresentar um candidato próprio, em vez de apoiar figuras já conhecidas à esquerda, como António José Seguro, Catarina Martins ou António Filipe.

Eleito pelo círculo do Porto, o deputado refere que “o mundo entrou numa nova realidade” e critica a atual maioria parlamentar de direita com extrema-direita, acusando a governação PSD/CDS-PP de aprofundar problemas no Estado Social, perante uma “emergência na habitação” e “desinteresse na educação e ciência”.

Defende que Portugal deve liderar esforços, no contexto europeu, em torno da defesa “intransigente dos Direitos Humanos, do feminismo, da luta antirracista e da transição ecológica”, considerando ser necessário “coragem e vontade”. Afirma apresentar-se à corrida presidencial com posições “claras e inequívocas” sobre o papel do país na União Europeia, defendendo uma “paz justa” e a construção de um projeto de autonomia que não se traduza em austeridade, mas em reforço do Estado Social, autonomia energética, transição ecológica, ciência, direito ao tempo e dignidade.

Na mensagem, Jorge Pinto recorda ainda episódios pessoais marcantes, como a deslocação, em 1999, com 12 anos, à Embaixada da Indonésia em Madrid em defesa do povo timorense, e o acidente do petroleiro Prestige, em 2002, que influenciou a sua formação académica.

Natural de Amarante, distrito do Porto, Jorge Pinto tem 38 anos, é formado em Engenharia do Ambiente e doutorado em Filosofia Social e Política, com uma tese sobre republicanismo, ecologia e pós-produtivismo. Foi um dos fundadores do Livre, integra a atual direção (Grupo de Contacto) e é deputado na Assembleia da República desde 2024. É autor de vários livros, entre os quais “Rendimento Básico Incondicional - Uma defesa da Liberdade” (2019) e “A Liberdade dos Futuros”.