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Penafiel
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Vinte anos de ADISCREP: Como os jogos se tornaram uma marca de cidadania e inovação em Penafiel

A associação ADISCREP tem vindo a consolidar, ao longo das últimas duas décadas, um percurso singular no concelho de Penafiel, transformando o universo dos jogos numa ferramenta estratégica de aprendizagem, inclusão e participação social.

Redação

Desde a sua fundação oficial, a 16 de maio de 2006, esta entidade desenvolveu um trabalho contínuo que cruza as áreas da cultura, educação e desporto, encontrando na disciplina de Desafios da Universidade Sénior de Penafiel o seu expoente máximo de intervenção comunitária.

Este projeto, que antecede a própria criação da Universidade em 2008, afirmou-se como um espaço onde a ludicidade serve propósitos pedagógicos profundos, demonstrando, segundo os responsáveis da associação, que “jogar pode ser também uma forma de aprender, integrar e aproximar a comunidade” através do estímulo ao raciocínio e à criatividade.

Da sala de aula para a rua: o nascimento de um projeto comunitário

A integração na Universidade Sénior de Penafiel permitiu que o trabalho ganhasse um novo fôlego, promovendo o convívio intergeracional e estabelecendo pontes interdisciplinares com outras áreas do saber. Ao longo dos anos, a disciplina de Desafios não se limitou ao espaço da sala de aula, expandindo-se para exposições, atividades em jardins de infância e lares, e parcerias com instituições de relevo.

Um dos marcos iniciais deste trajeto ocorreu em 2008, com a retificação da jogabilidade do jogo Ludusfidelis, um projeto que reforçou a ligação ao Museu Municipal de Penafiel. No ano seguinte, a iniciativa “Jantar na Tua Rua” levou a matemática para o espaço público com o espetáculo “MateMágicos”, provando que os jogos de estratégia podem ser um instrumento de comunicação eficaz e um recurso capaz de desenvolver a motricidade e a memória de forma colaborativa.

Inovação inclusiva e afirmação científica

A vertente inclusiva da ADISCREP ganhou especial destaque em 2011, quando o trabalho desenvolvido pelos alunos culminou na criação do jogo “Salto do Cavalo”, da autoria de Domingos Taipa. Este jogo foi amplamente reconhecido pela sua acessibilidade, permitindo que pessoas cegas ou com baixa visão pudessem participar plenamente na atividade. Esta criação evidenciou a capacidade da disciplina em articular o raciocínio lógico com a sensibilidade social e o design inclusivo.

Este reconhecimento científico e social culminou em 2013, altura em que Penafiel acolheu as II Jornadas da História dos Jogos em Portugal, um evento que colocou a disciplina de Desafios no centro da investigação académica nacional e que resultou na publicação de uma obra de referência sobre a matéria.

Sustentabilidade: transformar o velho em estratégia

Nos últimos anos, a associação tem intensificado o seu compromisso com a sustentabilidade ambiental, integrando a reutilização de materiais no processo criativo. No âmbito do projeto “Nós e o Ambiente”, lançado em 2022, a turma deu visibilidade ao subprojeto “O que é velho não é para descartar”, transformando resíduos em jogos de estratégia complexos. Esta abordagem foi reconhecida a nível nacional em 2023, quando o projeto figurou entre os finalistas do prémio “Junta-te ao Gervásio”, promovido pela Sociedade Ponto Verde.

Paralelamente, a colaboração com a ACAPO permitiu o desenvolvimento de protótipos do Ludusfidelis com numeração em Braille, reforçando a ideia de que a inovação pedagógica deve estar ao serviço de todos os cidadãos, sem exceção.

Um legado que atravessa fronteiras e gerações

O impacto da ADISCREP ultrapassou as fronteiras do concelho, levando o nome de Penafiel a instituições de prestígio como o Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa, em 2024. Mais recentemente, em 2025, a turma destacou-se no Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos em Aveiro, apresentando uma exposição retrospetiva com todos os jogos oficiais desde 2004, integralmente recriados com materiais reutilizados.

Já no presente ano de 2026, a disciplina mantém o seu dinamismo através de uma mostra dedicada à Torre de Hanói na Universidade de Aveiro e da apresentação da nova jogabilidade do jogo Topo. Este percurso de duas décadas confirma que, em Penafiel, os jogos são muito mais do que lazer, representando uma verdadeira marca de sustentabilidade, inclusão e cidadania ativa que continua a interpelar diversas gerações.