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Marco de Canaveses
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Com a ajuda da família de Fernanda, 'Toupeira' conseguiu voltar para a sua família

Fernanda Matos, da freguesia de Vila Boa de Quires e Maureles, viveu um episódio inesperado no dia 7 de agosto, durante um jantar em família num restaurante na freguesia de Avessadas e Rosém, quando uma cadela meiga se aproximou-se da mesa e conquistou os filhos de Fernanda.

Redação

“Estávamos à mesa, a conversar e a aproveitar o reencontro, quando uma pequena cadela, muito meiga, se aproximou. Sem hesitar, começou a brincar com os meus filhos, como se já fosse parte da família", conta a mãe desta família. 

A filha de Fernanda ficou encantada com a cadela e pediu para a adotarem. “Num primeiro momento, recusei, pois nunca tive um animal de estimação e presumi que ela fosse do restaurante. Quando me apercebi, a minha filha decidiu perguntar diretamente ao responsável pelo restaurante se podia trazer a cadela para casa, o qual prontamente respondeu que sim, que podíamos ficar com ela. Contou-nos que a cadela era vadia, que estava ali há cerca de 15 dias e que, nesse tempo, tinham-lhe dado comida e até um nome: Patanisca”, acrescentou. 

Apesar de nunca terem tido animais, Fernanda decidiu levar a cadela consigo. “Trouxemo-la connosco no carro e, durante o caminho, para não criar falsas expectativas, expliquei à minha filha que teríamos de contactar o canil e perceber se a cadela teria chip, pois podia estar perdida e o dono estar à sua procura. Ainda assim, quis dar-lhe um novo nome: Amora", continou a contar Fernanda.

Ao chegar a casa, Fernanda percebeu que Amora estava prenha: “Confesso que, de início, a ideia de adotar, de uma só vez, uma cadela e os seus futuros filhotes não me agradou muito. Mas pensei que, no dia seguinte, poderia contactar o CRO e encontrar uma solução. No entanto, o destino tinha outros planos…”

No dia 8 de agosto, enquanto se preparava para o seu casamento, Fernanda contactou o CRO MCN, que explicou o processo de adoção e marcou uma visita de verificação. “Já na Igreja, enquanto esperávamos que a noiva chegasse, fui contanto a boa nova aos familiares que finalmente tinha decidido adotar uma cadela. A minha madrinha, ao ouvir a história da cadelinha prenha, comentou que uma cadela na vizinhança teria desaparecido há cerca de três semanas e descreveu-a: ‘Uma cadela prenha, cor bege e branco, tipo cão de caça com uma coleira das pulgas’", recorda a família de acolhimento da cadelinha. 

O episódio tomou um rumo inesperado no dia seguinte, quando Fernanda decidiu investigar a origem da cadela: “Ansiosa por resolver aquele mistério, fui até à casa do Sr. Alfredo, vizinho da minha madrinha, e levei a cadela comigo. Encontrei a sua esposa, a D. Fátima, e perguntei-lhe se ela lhe pertencia. Ela olhou para a Amora e disse de imediato que sim, chamou pelo marido, e assim que ele a viu, assobiou e chamou: ‘Toupeira!’. Imediatamente, ela levantou a cabeça e correu para ele.”

O Sr. Alfredo explicou que já tinha perdido as esperanças de a encontrar. “Agradeceram-me imensamente e prometeram que, quando a cadela tivesse os filhotes, me dariam um deles.” No dia seguinte, uma vizinha do casal veio agradecer a Fernanda, que respondeu: “Foi por coincidência, pois não sabia que a cadela lhes pertencia.”

O nascimento das crias ocorreu no dia 12 de agosto, com o nascimento de três pequenos cães. Fernanda concluiu: “Assim, por coincidência, descobri que aquela cadelinha que pensei ser abandonada afinal era minha conterrânea de Maureles — e, de certa forma, o destino quis que cruzássemos os nossos caminhos.”