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Porto
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AEP lança no Norte ciclo de debates sobre governança para capacitar PME

A AEP lançou no Porto o ciclo “Conversas com Norte”. A iniciativa visa capacitar as PME em ética e governança, promovendo a sustentabilidade empresarial.

Redação

O Porto acolheu no passado dia 2 de junho o arranque do ciclo “Conversas com Norte”, uma iniciativa promovida pela AEP – Associação Empresarial de Portugal. Integrada no projeto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade”, a primeira sessão focou-se no tema “Governança e Ética Empresarial nas MPME”, sublinhando o papel crescente que o compliance e a transparência desempenham na construção de organizações mais resilientes e competitivas no mercado.

O debate inaugural reuniu Helena Gonçalves, professora e coordenadora de Ética Empresarial na Católica Porto Business School, e Sandra Cunha, diretora do Departamento Jurídico e da Comissão de Compliance do Grupo Salvador Caetano. O encontro permitiu cruzar a visão académica com a realidade corporativa, transmitindo aos empresários nortenhos uma mensagem clara: a ética é uma dimensão transversal da gestão, muito anterior aos relatórios ESG ou às exigências meramente regulatórias.

A dimensão da empresa não define a ética organizacional

Helena Gonçalves foi perentória ao desmistificar a ideia de que a governança é um tema exclusivo das grandes corporações. “A ética não depende da dimensão da organização. Aplica-se sempre — numa empresa com sete, cinquenta ou cinquenta mil trabalhadores”, defendeu a especialista.

Para a docente da Católica Porto Business School, a ética deve ser uma prática quotidiana, refletida nas decisões e na construção de confiança interna. “Fazer ética nas organizações é, no fundo, fazer bem as coisas para os outros. É construir empresas credíveis, responsáveis, sustentáveis e capazes de gerar valor”, sublinhou, alertando os presentes que “a ética não começa onde a lei obriga”.

Existe, segundo a professora, uma ligação direta e comprovada entre uma boa cultura organizacional e o desempenho económico das empresas. “Quando as pessoas estão bem, trabalham melhor. São mais produtivas, mais criativas, mais inovadoras. E isso beneficia simultaneamente os colaboradores e os resultados da organização”, assegurou.

O impacto da governação na cadeia de valor

A perspetiva empresarial foi detalhada por Sandra Cunha, que partilhou a experiência do Grupo Salvador Caetano com a sua Comissão de Compliance autónoma. Esta estrutura acompanha atualmente dossiês de enorme sensibilidade, como o assédio laboral, conflitos de interesse, prevenção do branqueamento de capitais, combate à corrupção e a gestão dos canais de denúncia da multinacional.

A responsável jurídica advertiu que a criação destas comissões não serve para “tornar automaticamente uma empresa mais ética”, mas sim para estabelecer processos claros e políticas formalizadas. Contudo, Sandra Cunha avisou que o nível de exigência está a propagar-se a toda a economia. “À medida que determinadas exigências chegam às grandes organizações, essas obrigações acabam inevitavelmente por se refletir nos parceiros e fornecedores. É importante que as empresas mais estruturadas também apoiem outras organizações neste percurso”, apelou.

Para motivar os micro e pequenos empresários da região Norte, a diretora defendeu que, na verdade, “em empresas pequenas, implementar uma cultura ética pode até ser mais simples”. Tratando-se de uma questão cultural, “muitas vezes começa pela proximidade, pela conversa, pela formação e pela definição clara do que é aceitável dentro da organização”. Sandra Cunha destacou ainda o desafio de adaptação às novas gerações, que chegam ao mercado com novas expectativas quanto à qualidade das relações laborais e aos limites dos comportamentos aceitáveis no trabalho.

Apoio comunitário para transformar 500 PME do Norte

O ciclo de palestras agora iniciado materializa a estratégia do ambicioso projeto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade”, concebido para apoiar o tecido empresarial na dupla transição verde e digital.

Este programa estruturante da AEP representa um investimento global de 924.627,28 euros, cofinanciado pela União Europeia, através do Programa Regional NORTE 2030 e do Portugal 2030. Com a sua execução calendarizada até ao segundo trimestre de 2027, a iniciativa compromete-se a abranger 500 Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) da região Norte. O grande objetivo passa por mitigar lacunas na cadeia de valor, fornecendo conhecimento especializado, ferramentas práticas e ações de capacitação que consolidem a sustentabilidade como um motor de inovação e diferenciação económica no território regional.