logo-a-verdade.svg
Sociedade
Leitura: 2 min

Ordem dos Farmacêuticos alerta para "risco sério" do "desafio do paracetamol" nas redes sociais

A Ordem dos Farmacêuticos (OF) emitiu hoje um alerta sobre a circulação de conteúdos nas redes sociais que incentivam jovens a ingerir doses excessivas de paracetamol. A instituição adverte que este fenómeno, conhecido como "desafio do paracetamol", constitui um "risco sério para a saúde".

Redação

O desafio, descrito como uma espécie de competição entre jovens, promove a toma deliberada de doses elevadas deste fármaco. Segundo a OF, esta tendência já tem vindo a ser observada em vários países europeus, nomeadamente na Alemanha, Bélgica, Espanha, França e Suíça.

Perigos silenciosos e consequências graves

A Ordem sublinha que a toxicidade do paracetamol pode manifestar-se mesmo antes do aparecimento de sintomas clínicos, o que torna imperativa uma "abordagem preventiva e informada" junto da população mais jovem.

Embora o paracetamol seja amplamente utilizado para o tratamento da dor e da febre, apresentando um perfil de segurança favorável quando administrado segundo as recomendações, o seu uso excessivo acarreta perigos severos:

  • Lesões hepáticas: A sobredosagem pode provocar lesões no fígado graves e irreversíveis, podendo evoluir para insuficiência hepática aguda, necessidade de transplante e, em casos extremos, a morte.

  • Lesões renais: Em casos menos frequentes, podem ocorrer danos nos rins, sobretudo associados à utilização prolongada ou ingestão excessiva.

Sinais de alerta e atuação

De acordo com o comunicado, a sobredosagem pode resultar tanto de uma ingestão única de dose elevada como do uso crónico acima das doses recomendadas.

Os sintomas iniciais surgem geralmente nas primeiras 24 horas e incluem:

  • Náuseas;

  • Vómitos;

  • Sudação;

  • Mal-estar e letargia.

Com a progressão dos danos hepáticos, pode surgir dor abdominal que evolui para complicações graves. A OF avisa que, perante qualquer suspeita de sobredosagem, deve ser procurada assistência médica imediata, mesmo na ausência de sintomas, uma vez que o tratamento é mais eficaz quando iniciado precocemente.

O papel dos farmacêuticos

A Ordem recorda que os farmacêuticos desempenham um papel "particularmente relevante" na prevenção de intoxicações. A sua intervenção foca-se na sensibilização dos adolescentes para os riscos da ingestão deliberada de doses elevadas — impulsionada por desafios nas redes sociais — e para a potencial toxicidade hepática e renal deste medicamento.