Álvaro Costa, presidente da consultora Trenmo e professor da FEUP, e Nuno Fonseca, presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa, reforçaram a urgência da infraestrutura perante os deputados.
Numa audição realizada esta quarta-feira, 25 de março, na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação da Assembleia da República, a Linha do Vale do Sousa foi classificada como um projeto "vital" para a coesão e economia do Norte de Portugal.
Álvaro Costa, presidente da consultora Trenmo e professor da FEUP, e Nuno Fonseca, presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa, reforçaram a urgência da infraestrutura perante os deputados.
Segundo Álvaro Costa, autor do estudo de procura inicial, esta nova linha ferroviária de 38 quilómetros — que ligará Valongo a Felgueiras, com passagens por Paredes, Paços de Ferreira e Lousada — deve ser a prioridade máxima no plano ferroviário nacional, excluindo a alta velocidade.
Os dados apresentados sustentam a viabilidade do projeto:
Passageiros: Estimativa de sete milhões de utilizadores anuais.
Rentabilidade: Previsão de resultados positivos na ordem dos quatro milhões de euros por ano.
Dinâmica Pendular: O especialista destacou que existe um movimento bidirecional intenso, com muitos técnicos do Porto a deslocarem-se para as fábricas da região, o que justifica o investimento num "ferroviário pesado".
No entanto, Álvaro Costa alertou que o projeto ainda carece de maturidade técnica para reduzir os custos de investimento, que no estudo preliminar eram de 181 milhões de euros, mas que atualmente serão superiores. A Infraestruturas de Portugal (IP) deverá concluir este ano uma análise de custo-benefício decisiva para o cronograma da obra.
Nuno Fonseca, presidente da CIM Tâmega e Sousa e autarca de Felgueiras, garantiu que não permitirá que o projeto seja esquecido. O dirigente manifestou o receio de que os estudos técnicos possam servir de "artifício" para atrasar a obra e apelou a uma decisão clara do Governo e do Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.
"Esta linha não pode nem deve ficar esquecida. No dia que eu sentir [que o Governo não a quer fazer], vou tomar medidas mais afincadas para fazer face às nossas necessidades", afirmou Nuno Fonseca.
O presidente da CIM revelou ainda que os municípios estão disponíveis para ser parte da solução financeira para a construção da linha, que poderá futuramente estender-se até Amarante.