Recorrendo a dados estatísticos do Eurostat, a plataforma permite analisar a posição portuguesa face aos restantes países europeus em quatro grandes temas: população, economia, custo de vida e rendimentos, energia e ambiente.
A Pordata lançou esta segunda-feira, dia 23 de fevereiro, uma nova plataforma interativa que traça um retrato comparativo entre os 27 Estados-membros da União Europeia. Esta ferramenta tem como objetivo comemorar os 40 anos da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia, formalizada em janeiro de 1986.
Recorrendo a dados estatísticos do Eurostat, a plataforma permite analisar a posição portuguesa face aos restantes países europeus em quatro grandes temas: população, economia, custo de vida e rendimentos, energia e ambiente.
No capítulo dedicado à população, os dados revelam que Portugal foi o Estado-membro da UE onde se registou a maior entrada de imigrantes no período compreendido entre 2012 e 2023.
O crescimento médio anual de entrada de imigrantes em Portugal fixou-se nos 34,3%, um valor que contrasta de forma expressiva com a média europeia de 8,8%.
O segundo país com a taxa mais elevada foi a Estónia (30,3%), logo seguida pela Lituânia (30,2%).
Apesar de liderar o fluxo de entradas neste período, Portugal está longe de ser a nação com a maior percentagem de população estrangeira residente. Com uma proporção de 9,6% de estrangeiros, o país ocupa o 12.º lugar da tabela europeia, mantendo-se a uma grande distância do Luxemburgo, que lidera o bloco com uma taxa de 47,3% de residentes estrangeiros.
A demografia nacional apresenta igualmente desafios estruturais:
Portugal posiciona-se como o segundo país mais envelhecido de toda a UE, ficando apenas atrás da Itália.
O rácio nacional é de apenas 53 jovens por cada 100 idosos. Em contraste, a Irlanda detém a população mais jovem da UE, registando uma proporção de 122 jovens por cada 100 idosos.
Apenas cerca de um quarto (25,6%) dos agregados familiares em Portugal inclui crianças. Este valor representa uma quebra de 6,8 pontos percentuais em relação aos dados de 2011. A Eslováquia é o país europeu com mais famílias com crianças (35,6%).
Verifica-se ainda um aumento expressivo de pessoas a viver sozinhas. A nível europeu, o crescimento foi de 28% entre 2011 e 2023, o que se traduz em mais de 25 milhões de pessoas. Em Portugal, o aumento foi de quase 50%, correspondendo a mais 366 mil pessoas a residir sozinhas.
No que concerne à educação, Portugal destaca-se como o país do bloco europeu onde a população ativa possui os níveis de escolarização mais baixos. Quatro em cada 10 portugueses não concluíram o ensino secundário. Este cenário contrasta fortemente com o de países como a Lituânia ou a Polónia, onde apenas uma em cada 10 pessoas se encontra nessa situação de precariedade formativa.
Apesar deste enquadramento geral, há sinais positivos nas faixas etárias mais jovens. A Pordata nota que a população portuguesa compreendida entre os 25 e os 34 anos já apresenta um nível de escolarização alinhado com a média global europeia, registando 43,2% de jovens com o ensino superior concluído, face aos 44,1% apurados a nível da UE.