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Portugal
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Pedro Passos Coelho não exclui regresso à política, mas avisa: “Não será pelas melhores razões”

Antigo primeiro-ministro falou no 5.º aniversário do Instituto +Liberdade, em Lisboa, e garantiu que não prepara qualquer candidatura.

Redação

O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho admitiu este sábado, 28 de fevereiro, em Lisboa, que não exclui um eventual regresso à política ativa, mas sublinhou que, se tal acontecer, “não será pelas melhores razões”. A declaração foi feita durante uma conferência no Museu do Oriente.

Declarações no aniversário do Instituto +Liberdade

Na sessão que assinalou o 5.º aniversário do Instituto +Liberdade, o antigo líder do Partido Social Democrata (PSD) foi questionado por uma participante sobre o seu futuro político e recuou ao momento em que abandonou a liderança do partido, em 2018.

“Não me achei um inútil para a política”, afirmou, explicando que nunca declarou que não regressaria à vida partidária. Considera, aliás, “ridículo” comprometer o futuro com afirmações definitivas apenas para tranquilizar a opinião pública.

Apesar disso, reiterou que considera “pouco provável” vir a desempenhar novamente um papel tão ativo como o que teve enquanto primeiro-ministro entre 2011 e 2015.

“Se isso acontecer, não será pelas melhores razões”

Passos Coelho frisou que um eventual regresso apenas faria sentido num contexto menos favorável para o país ou para o partido.

“Se tudo correr bem e as coisas correrem de modo que o país esteja satisfeito e o PSD, que está no Governo, esteja satisfeito com o seu desempenho, por que razão é que agora hão de ir ao baú da história?”, questionou.

O antigo governante voltou também a afastar qualquer cenário imediato de candidatura. “Não está a preparar nenhuma candidatura”, garantiu, acrescentando que nem sequer sabe quando ocorrerão as próximas eleições internas no PSD, que estima possam acontecer dentro de dois anos.

A saída da liderança do PSD

Sobre a decisão de se afastar da liderança social-democrata, explicou que, em 2017, entendeu não se recandidatar “em grande parte” por considerar que a solução governativa então em funções - liderada pelo Partido Socialista (PS) e apoiada no parlamento por Partido Comunista Português, Bloco de Esquerda e Partido Ecologista Os Verdes - não era do seu agrado.

Segundo referiu, a sua permanência na liderança do PSD poderia funcionar como “espantalho” agregador das forças à esquerda, facilitando a coesão parlamentar da chamada “geringonça”. Considerou que, ao sair, permitiu que essa solução governativa enfrentasse diretamente o seu próprio desgaste político.

“Fator limitativo do crescimento do PSD”

Passos Coelho admitiu ainda que se tornou, à época, um “fator limitativo do crescimento do PSD”, apesar de não ter reservas quanto ao seu desempenho enquanto primeiro-ministro.

Defendeu que era necessário “mudar a conversa da ‘troika’” e libertar o partido dessa associação ao período de assistência financeira internacional. Na sua perspetiva, o PSD conseguiu, ao longo dos anos seguintes, distanciar-se desse ciclo político, algo que considera positivo.

As declarações surgem um dia depois de o antigo líder social-democrata ter negado estar de regresso à política ativa, reiterando agora que não sabe se algum dia voltará a ser necessário ou se será a “pessoa indicada” para tal função.