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Matosinhos
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Trabalhadores da Indaqua Matosinhos concluem três dias de greve contra discriminação salarial

Os trabalhadores da Indaqua Matosinhos concluem esta terça-feira três dias de greve em protesto contra a desigualdade nos aumentos e nas avaliações.

Redação

Os trabalhadores da Indaqua Matosinhos terminam esta, terça-feira, 7 de julho, uma paralisação de três dias motivada por exigências de igualdade de tratamento interno. O protesto, que incluiu concentrações à porta da empresa, visa contestar a aplicação de aumentos salariais diferenciados e os critérios do atual modelo de avaliação de desempenho, que a estrutura sindical considera discriminatórios.

A contestação reflete o descontentamento geral com a política de recursos humanos da comissão de gestão, exigindo-se uma revisão imediata dos procedimentos de compensação financeira.

Processo de avaliação de desempenho sob forte contestação

A principal base do descontentamento assenta na disparidade dos ajustes remuneratórios atribuídos recentemente pela administração. Segundo as declarações prestadas à agência Lusa por Augusto Castro, delegado sindical do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (SITE Norte), a diferenciação nos ordenados gerou indignação generalizada na empresa.

"Estamos a reivindicar os direitos de igualdade a todos os trabalhadores porque temos trabalhadores com 150 euros de aumento e temos trabalhadores que nada tiveram de aumento, zero de aumento. A empresa está a fazer a discriminação entre os trabalhadores e isto é inadmissível", criticou o dirigente sindical.

A administração da Indaqua justificou as diferenças salariais com base no processo de avaliação de desempenho. Contudo, o sindicato alega que o sistema padece de incongruências técnicas graves. De acordo com Augusto Castro, "com a avaliação de desempenho, temos aqui colegas com notas negativas que tiveram 125 euros de aumento e temos aqui colegas com notas positivas que tiveram 10 ou 15 euros de aumento". Perante estes dados, os trabalhadores declaram-se firmemente "contra a avaliação de desempenho", defendendo que esta "não é justa".

Falta de resposta da empresa e receio de represálias

O terceiro dia de protesto foi marcado por uma manifestação em frente às instalações da Avenida Fabril do Norte, em Matosinhos. A mobilização sucede às paralisações de sexta-feira e segunda-feira realizadas junto à sede da empresa-mãe. Nesta terça-feira, a greve contou com a adesão de cerca de duas dezenas de profissionais, num universo de 30 a 35 sindicalizados, inseridos num quadro global com mais de 100 colaboradores. O delegado lamentou as ausências, apontando que, "infelizmente, muita gente tem receio por causa das represálias da empresa".

Até ao momento, as tentativas de mediação por parte dos representantes dos trabalhadores não obtiveram qualquer retorno prático, com a administração a manter-se em silêncio. O SITE Norte pretende aguardar pela reação da tutela interna antes de definir novas ações. "Nós já pedimos reuniões e a empresa nem uma satisfação dá ao sindicato" e "não responde a nada", acusou Augusto Castro, criticando a recusa da Indaqua Matosinhos em reunir-se com o sindicato.

Indaqua gere redes de água em múltiplos concelhos do Norte

A Indaqua detém uma forte expressão territorial na gestão de infraestruturas básicas no norte e centro do país. A empresa assegura a exploração das redes públicas de distribuição de água e saneamento nos concelhos de Santo Tirso/Trofa, Santa Maria da Feira, Matosinhos, Vila do Conde, Oliveira de Azeméis, Barcelos, Paços de Ferreira e Marco de Canaveses.

A agência Lusa contactou formalmente a Indaqua Matosinhos para obter um esclarecimento detalhado acerca das posições e das reivindicações apresentadas pelos grevistas, encontrando-se ainda a aguardar uma resposta oficial.