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Celorico de Basto
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Nunca é tarde para dominar a concertina: A história de Joaquim Teixeira e a festa que vai animar Celorico de Basto

O som inconfundível dos foles volta a ecoar em Celorico de Basto. Através de uma iniciativa contínua que tem proporcionado várias ocasiões de festa no concelho, o município, em colaboração com as associações locais, continua a reforçar a sua aposta na promoção das tradições e na dinamização dos centros urbanos.

Redação

No centro desta celebração está a concertina. Considerada por muitos como o instrumento "rei" das festas populares, tem registado um aumento crescente de praticantes no concelho. A sua sonoridade única é o motor que incentiva à dança e promove a união e a participação comunitária.

É já no próximo domingo, dia 12 de abril, pelas 15h00, que a localidade da Mota se prepara para receber mais um vibrante Encontro de Concertinas. Tendo como palco o Centro Urbano da Mota, o evento assume-se como um momento privilegiado de exaltação da cultura popular.

O Despertar Tardio para a Música: A História de Joaquim Teixeira

Para compreender o verdadeiro pulsar destes encontros, fomos ao encontro de quem lhes dá vida. Joaquim Teixeira, de 72 anos, natural de uma aldeia vizinha do centro de Celorico de Basto, é uma presença assídua nestas festividades. Fazendo-se acompanhar sempre pela esposa, a sua história prova que nunca é tarde para abraçar uma paixão.

Apesar de ser hoje um tocador dedicado, a concertina entrou de forma prática na sua vida há menos de uma década. A faísca foi acesa pela sua mulher, influenciada pelas raízes de ambas as famílias.

"O povo já nasce com a coisa, não é? O meu falecido pai tocava concertina e, pronto, deu-me na cabeça para começar", recorda.

A esposa, que tinha irmãos tocadores, deu o primeiro passo. "A mulher optou por isso. Disse que havia de ir aprender a tocar concertina. Ela l+a foi teve meia dúzia de aulas e eu já também lá foi fazendo umas modinhas e assim fomos aprendendo", conta Joaquim. Hoje, a cumplicidade do casal estende-se à roda musical: "Ela agora até toca, até se dedica às castanholas".

A Arte de Dominar os Foles

Aprender a tocar o instrumento "rei" das festas exige paciência e dedicação. O Sr. Joaquim admite que a juventude tem vantagem, mas a persistência é a chave para qualquer idade.

"Se for um 'gajo' novo é mais fácil, não é? Aprende mais rápido. Mas ainda não é para todos a concertina. Ainda é preciso lá bater com os dedos muitas vezes."

Com a humildade que caracteriza os verdadeiros amantes da tradição, o tocador de 72 anos reconhece que a aprendizagem é contínua. "Ainda agora não sei a 100%, como alguns tocadores, não é? Mas já me vou desembaraçando bem", afirma, orgulhoso do percurso feito em menos de dez anos.

A Magia da "Roda" e o Apoio do Município

Os fins de semana de Joaquim Teixeira e da sua esposa ganharam um novo propósito. Ligados também a um grupo de Canedo, o casal raramente fica em casa. "Logo que há esse convívio, nós vamos. Quase todo o fim de semana saímos para um lado ou para o outro. É uma tradição bonita, é uma tradição antiga e, pronto, gostamos de nos divertir", explica.

Mas como é, afinal, um dia num Encontro de Concertinas como o que vai acontecer na Mota? A resposta de Joaquim ilustra a espontaneidade da festa:

"Isto normalmente começa quase logo a tocar. Às três horas, os primeiros que chegarem já começam a tocar. É por isso que, entretanto, se vai juntando mais malta, mete-se tudo na roda e seguem."

Para o Sr. Joaquim, o valor destes convívios é incalculável. Numa das frases mais marcantes da entrevista, resume o seu amor pela arte: "Os dias que não há música não têm valor."

O sucesso e a continuidade destas "rodas" dependem também do suporte institucional. Joaquim elogia o papel da autarquia na preservação deste património imaterial e na criação de condições logísticas. "As câmaras municipais também são muito importantes", sublinha. O reconhecimento oficial também não passa despercebido a quem toca: "Mesmo o presidente, quando vem à roda, agradece sempre por termos vindo."

"Vem Embora Para Casa Com a Cabeça Aliviada"

Mais do que preservar a história de Celorico de Basto, tocar concertina e dançar ao seu som é um verdadeiro tónico para a saúde física e mental. Quando questionado se a música lhe faz bem à saúde, Joaquim Teixeira não tem dúvidas.

"É muito bom. Muito bom. Mesmo no dançar, nestas coisas, estas rodas, tudo é muito importante. Dá-lhe muito mais saúde."

Aos 72 anos, deixa uma mensagem de encorajamento para todos os que sonham aprender a tocar, independentemente da idade. "Quem tiver gosto e vontade, vai lá. Vai, vai. E aprende."

Com o Encontro de Concertinas da Mota à porta, Joaquim Teixeira deixa o convite a toda a comunidade para se juntar à festa este domingo. Para além da partilha musical e da preservação das tradições, a promessa principal é a do bem-estar.

"Eu gosto que toda a malta participe, que é muito bonito e que dá saúde. Você vem embora para casa à noite com a cabeça aliviada." E é precisamente essa leveza, trazida pela força de uma concertina, que Celorico de Basto celebrará mais uma vez.