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SHARKCODERS e Fisiokids ajudam crianças com autismo a desenvolver competências através da tecnologia e programação

Neste Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, 2 de abril, um estudo-piloto realizado em Portugal destaca o papel da tecnologia, programação e robótica no desenvolvimento cognitivo e social de crianças dentro do Espectro do Autismo.

A iniciativa foi conduzida pela SHARKCODERS – Geniuses of Tomorrow, primeira rede portuguesa de academias dedicada ao ensino de tecnologia para crianças e adolescentes, em parceria com a FisioKids, uma clínica especializada em neurodesenvolvimento, localizada na Maia.

O estudo acompanhou três crianças entre os sete e os 10 anos ao longo de um ano letivo, com sessões semanais de 90 minutos. Cada criança participou em atividades de programação, criação de jogos e robótica, sendo avaliadas em três momentos: antes do início do programa, aos seis meses e no final do percurso formativo. Foram utilizados instrumentos neuropsicológicos reconhecidos, como a Figura Complexa de Rey e a Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra (BANC), permitindo medir competências em memória, atenção, linguagem, planeamento, funções executivas e flexibilidade mental.

Os resultados mostraram melhorias significativas em todas as áreas avaliadas: memória visual e de trabalho, fluência verbal (fonética e semântica), planeamento e organização, atenção sustentada, funções executivas, flexibilidade mental e permanência em tarefa. Curiosamente, a maior evolução ocorreu nos primeiros seis meses, sugerindo que a exposição inicial a atividades estruturadas e lógicas tem um impacto particularmente forte.

Apesar da dimensão reduzida da amostra, estes resultados estão alinhados com investigações internacionais, reforçando o potencial da tecnologia como ferramenta terapêutica e educativa para crianças neurodivergentes.

Andreas Vilela, fundador da SHARKCODERS: "A tecnologia transforma o desenvolvimento e a inclusão de crianças com autismo"

O fundador da SHARKCODERS, Andreas Vilela, explicou que o projeto surgiu a partir de uma procura natural dos pais e da observação dos alunos: “Começamos a notar um padrão: crianças com Perturbação do Espectro do Autismo demonstravam grande interesse por tecnologia e raciocínio lógico, mas tinham desafios na comunicação, interação social e comportamento. Foi a partir daí que procuramos uma clínica especializada e surgiu a parceria com a FisioKids, que rapidamente abraçou o projeto.”

Mais do que ensinar competências técnicas, as aulas promovem habilidades transversais fundamentais. Segundo Andreas, “as crianças criam jogos, histórias e personagens, tornando-se atores do próprio projeto". "Isso aumenta o foco, a concentração, o planeamento, a organização e até a fluência verbal, porque precisam de comunicar e trabalhar em equipa", continuou, acrescentando: "Observamos mudanças no comportamento, com mais motivação e participação social, mesmo fora da sala de aula.”

O estudo também reforça a importância da inclusão: os alunos com autismo participam em turmas mistas, integrando-se com colegas de diferentes perfis. “Não se trata apenas de ensinar tecnologia, mas de criar seres humanos mais empáticos, inclusivos e capazes de viver em sociedade”, considerou. Para o responsável, a iniciativa vai além da componente educativa: promove consciencialização e oferece respostas concretas para famílias que muitas vezes não sabem onde colocar os filhos para continuar o desenvolvimento de competências essenciais.

Além do impacto social e educacional, a SHARKCODERS evidencia que estas atividades lúdicas e interativas despertam habilidades que ultrapassam a programação. “Trabalhamos competências de raciocínio lógico, criatividade, resolução de problemas, trabalho em equipa, comunicação em público, concentração e até inglês", frisou. Por isso, "o convite que fazemos aos pais é que tragam os filhos a uma aula experimental gratuita, para verem, na prática, como estes projetos transformam a aprendizagem e a motivação das crianças”, conclui.

FisioKids: “Não é terapia, mas promove competências num ambiente estruturado”

Para Alexandra Ribeiro, diretora técnica da FisioKids, o desafio lançado pelo fundador da SHARKCODERS surgiu como uma oportunidade para inovar na intervenção com crianças com perturbações do desenvolvimento. A responsável destaca a importância de tornar as dinâmicas diárias "mais lúdicas, mais agradáveis e práticas", alertando que as abordagens clínicas convencionais, como as sessões de psicologia ou de terapia ocupacional, podem, a dada altura, tornar-se "muito saturantes" para os mais novos.

"Quando conseguimos aplicar outras ferramentas que vão contribuir para o desenvolvimento delas e, mais do que tudo, motivá-las, os resultados serão diferentes e maiores. Achei super interessante e fomos ver se, efetivamente, há resultados numa abordagem diferente", explicou a diretora.

Apesar dos benefícios evidentes, Alexandra Ribeiro faz questão de fazer uma ressalva fundamental: "Isto não é uma terapia". A especialista traça um paralelismo com a fisioterapia, onde frequentemente os profissionais recomendam atividades físicas complementares, como a natação, para ajudar no desenvolvimento de outras aptidões.

Neste contexto tecnológico, o grande ganho é permitir que a criança neurodivergente sinta que está em igualdade com os seus pares, ou seja, que "faz a mesma coisa que as outras crianças estão a fazer". Segundo a responsável, "isto é importante para a criança, bem como para a família, que acaba por ter uma perspetiva diferente".

A resposta à iniciativa confirmou as expectativas iniciais. As famílias mostraram-se muito entusiasmadas e a equipa da clínica notou um envolvimento ímpar por parte dos participantes, com casos de crianças que levavam as dinâmicas "para casa". Esse empenho refletiu-se de forma tangível: "Nas provas que foram aplicadas, houve diferenças e melhoria em termos de resultados", confirma a diretora técnica, referindo que a clínica embarcou nesta "aventura inovadora" com muito gosto.

Sobre o motivo pelo qual a tecnologia funciona tão bem como ferramenta catalisadora no Espetro do Autismo, Alexandra Ribeiro aponta para o cruzamento entre a afinidade natural destas crianças pela área tecnológica e o formato das aulas. Como as atividades decorrem em grupo, oferecem a oportunidade de trabalhar a socialização, uma área habitualmente muito difícil para estas crianças, mas fazendo-o "num ambiente estruturado e previsível, que para eles é importante". Funciona, assim, como um "ambiente mais controlado" onde podem ser desafiados a interagir de forma segura e motivadora.

Estudo completo: https://crm.sharkcoders.pt/docs/Estudo_Sharkcoders_Tecnologia_Programacao_Robotica__Criancas_Espetro_Autismo.pdf

SHARKCODERS Geniuses of Tomorrow: A SHARKCODERS – Geniuses of Tomorrow é a primeira rede portuguesa de academias dedicada ao ensino de inteligência artificial, programação, tecnologia e robótica para crianças e adolescentes. Com presença nacional, tem como missão capacitar as novas gerações para que sejam criadores, e não apenas consumidores de tecnologia.

Website: https://www.sharkcoders.pt/

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Website: https://fisiokids.pt/