Para Alexandra Ribeiro, diretora técnica da FisioKids, o desafio lançado pelo fundador da SHARKCODERS surgiu como uma oportunidade para inovar na intervenção com crianças com perturbações do desenvolvimento. A responsável destaca a importância de tornar as dinâmicas diárias "mais lúdicas, mais agradáveis e práticas", alertando que as abordagens clínicas convencionais, como as sessões de psicologia ou de terapia ocupacional, podem, a dada altura, tornar-se "muito saturantes" para os mais novos.
"Quando conseguimos aplicar outras ferramentas que vão contribuir para o desenvolvimento delas e, mais do que tudo, motivá-las, os resultados serão diferentes e maiores. Achei super interessante e fomos ver se, efetivamente, há resultados numa abordagem diferente", explicou a diretora.
Apesar dos benefícios evidentes, Alexandra Ribeiro faz questão de fazer uma ressalva fundamental: "Isto não é uma terapia". A especialista traça um paralelismo com a fisioterapia, onde frequentemente os profissionais recomendam atividades físicas complementares, como a natação, para ajudar no desenvolvimento de outras aptidões.
Neste contexto tecnológico, o grande ganho é permitir que a criança neurodivergente sinta que está em igualdade com os seus pares, ou seja, que "faz a mesma coisa que as outras crianças estão a fazer". Segundo a responsável, "isto é importante para a criança, bem como para a família, que acaba por ter uma perspetiva diferente".
A resposta à iniciativa confirmou as expectativas iniciais. As famílias mostraram-se muito entusiasmadas e a equipa da clínica notou um envolvimento ímpar por parte dos participantes, com casos de crianças que levavam as dinâmicas "para casa". Esse empenho refletiu-se de forma tangível: "Nas provas que foram aplicadas, houve diferenças e melhoria em termos de resultados", confirma a diretora técnica, referindo que a clínica embarcou nesta "aventura inovadora" com muito gosto.
Sobre o motivo pelo qual a tecnologia funciona tão bem como ferramenta catalisadora no Espetro do Autismo, Alexandra Ribeiro aponta para o cruzamento entre a afinidade natural destas crianças pela área tecnológica e o formato das aulas. Como as atividades decorrem em grupo, oferecem a oportunidade de trabalhar a socialização, uma área habitualmente muito difícil para estas crianças, mas fazendo-o "num ambiente estruturado e previsível, que para eles é importante". Funciona, assim, como um "ambiente mais controlado" onde podem ser desafiados a interagir de forma segura e motivadora.