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Amarante
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Dia do Animal de Estimação: A dedicação de Ana Teixeira em Amarante e o apelo urgente a "não comprar, mas adotar"

No Dia do Animal de Estimação, o testemunho de quem dedica a vida a salvá-los ganha um peso redobrado. Ana Teixeira, sócia fundadora da Associação Ajuda Animais Amarante, recua no tempo para nos contar como um pequeno grupo criado em Gondar se transformou numa força de resgate e sensibilização animal no concelho.

Redação

Tudo começou com uma simples iniciativa autárquica em Gondar, freguesia natural de Ana Teixeira. "Fazia parte da lista e propusemo-nos a criar um grupo de ajuda animal", recorda. Na altura, os concelhos enfrentavam carências graves ao nível do bem-estar animal e o número de animais errantes era alarmante. Rapidamente, o que era para ser uma resposta local ganhou proporções imprevistas.

"Tivemos apelos de todas as freguesias do concelho e, às vezes, até de outros concelhos... O número de pedidos de ajuda foi aumentando", explica a fundadora. Embora contassem com o apoio da freguesia e tivessem criado um pequeno abrigo, a estrutura tornou-se insuficiente. "Surgiam pessoas que queriam ajudar e sozinhas, a título individual, não conseguiam... O grupo foi crescendo, foi tendo mais força e houve a necessidade de formalizar a Associação Ajuda a Animais, não agora em Gondar, mas em Amarante".

Esta formalização, impulsionada tanto pela vontade individual de dezenas de voluntários como pela "necessidade de intervenção", ocorreu numa época em que o cenário era desolador: "Não havia resposta nenhuma que fosse viável para o bem-estar dos animais em Amarante por parte do município".

Do resgate à parceria: O peso de anos de trabalho

Hoje, após anos de intervenção no terreno como associação formal, os frutos do trabalho são visíveis. "Sentimos o efeito a médio prazo... notamos que neste momento há um menor número de apelos, há um menor número de animais errantes", sublinha Ana Teixeira.

A atuação da associação baseia-se no resgate de animais feridos, doentes ou de ninhadas incapazes de sobreviver sem intervenção humana. Para albergar estes animais, a associação depende fortemente de "Famílias de Acolhimento Temporário (FAT)", uma vez que o espaço físico não permite acolher todos os resgates.

Os custos dos tratamentos médico-veterinários, que outrora saíam do bolso dos voluntários ou de angariações de fundos, são hoje colmatados com a ajuda de protocolos privados, donativos e um subsídio municipal. Contudo, Ana não esconde a realidade: o subsídio do município "continua pouco e insuficiente".

A implementação da legislação que obriga os municípios a terem Centros de Recolha Oficial (CRO) alterou a dinâmica do trabalho. "Tentamos trabalhar em parceria, comunicando sempre às entidades legalmente responsáveis, não as destituindo das suas responsabilidades", afirma. No entanto, a sobrelotação destes espaços empurra o ónus de volta para os voluntários: "O centro de recolha, na maior parte das vezes, não consegue dar resposta, pelo que continua a ser a associação quem mais responde aos apelos da população".

O problema dos caçadores e o abrigo degradado

Apesar do decréscimo geral de animais errantes, Ana Teixeira aponta o dedo à origem do maior volume de trabalho atual da associação: "Neste momento, quem nos dá mais trabalho ou contribui para o maior número de animais errantes no concelho são os caçadores".

A responsável descreve situações dramáticas envolvendo cadelas podengas usadas para a caça. Muitas fogem ou são abandonadas por não serem "boas" para a atividade e, não estando esterilizadas, continuam a procriar nas ruas. "Como são muito condicionadas e às vezes maltratadas, não se deixam capturar... temos cadelas sinalizadas, sempre a parir, traumatizadas pelos maus-tratos", lamenta.

A par deste desafio, a associação debate-se com a falta de condições do seu abrigo para cães. As instalações, sediadas numa antiga escola primária cedida pela Junta de Freguesia de Gondar e pertencente ao município, encontram-se num "elevado estado de degradação", não tendo sofrido qualquer intervenção ao longo dos anos. A associação já reportou a situação à câmara municipal, tendo uma reunião agendada para exigir "uma requalificação digna do espaço".

Para manter o abrigo a funcionar, a associação conta com o apoio de um colaborador através do IEFP, que garante a alimentação, medicação e limpeza diária do espaço, e ainda com a vasta rede de voluntários. "Somos cerca de 30 voluntários ativos e quase 200 amigos dos animais que dão ajuda pontual".

A educação como arma para o futuro

Para Ana Teixeira, a resolução do problema animal passa pela base: a educação. A associação promove ativamente ações nas ruas, lojas e festas, mas o grande foco de 2026 está nas escolas. "No próximo ano letivo, em setembro, queremos começar em força com um projeto piloto a abranger todos os agrupamentos de escolas em Amarante. Porque é com as crianças que nós vamos tentar mudar mentalidades".

As campanhas da associação assentam em três pilares fundamentais:

  1. Não comprar, adotar: Sensibilizar para o elevado número de animais a precisar de um lar.

  2. Esterilização: Apontada como "fundamental para haver um equilíbrio e um controlo", tanto para cães como para gatos.

  3. Não acorrentamento: Uma prática infelizmente comum, fruto da "falta de formação e sensibilidade, que ainda se verifica em muitas freguesias e mesmo nos concelhos limítrofes".

"O maior privilégio que qualquer um de nós tem"

Apesar das dificuldades financeiras e logísticas, o sentimento predominante na Associação Ajuda Animais Amarante é de missão cumprida. Ana Teixeira reconhece que o facto de os concelhos vizinhos — como o Marco de Canaveses, Baião e Celorico de Basto — terem agora os seus próprios centros de recolha ajudou imenso a controlar a migração de animais abandonados entre municípios.

Para a voluntária, dedicar a vida ao bem-estar animal não é um fardo, mas uma honra. "Sentimo-nos felizes pelo facto de podermos efetivamente ter uma estrutura que nos permita dar uma resposta, de recolher e de ajudar uma vida indefesa. Esse é o maior privilégio que qualquer um de nós tem", confessa com emoção.

Neste Dia do Animal de Estimação, Ana Isabel Pinto Teixeira deixa um apelo sincero a todos os que procuram um amigo de quatro patas: "Os animais são muito sensíveis, sentem, são a nossa família. O apelo maior que eu faço é pedir às pessoas para não comprarem, para adotarem. Há muitos animais a viverem uma vida inteira dentro de um canil, dentro de quatro metros quadrados, que precisavam de amor, de carinho e que serão eternamente agradecidos a quem os adotar".