logo-a-verdade.svg
Sociedade
Leitura: 3 min

Sinistralidade rodoviária em Portugal: Número de mortos aumenta cerca de 36% em 2026

As estradas portuguesas registaram, entre o dia 1 de janeiro e 6 de abril, um total de 133 vítimas mortais, o que representa um aumento de 35 óbitos (cerca de 36%) em relação ao período homólogo do ano passado.

Redação

Os dados, avançados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), são ainda provisórios e dizem respeito a mortes declaradas no local do acidente ou durante o transporte para a unidade hospitalar.

De acordo com o relatório de sinistralidade diária, ocorreram 41.045 acidentes nas vias nacionais, mais 5.393 do que em 2025, altura em que tinham sido contabilizados 35.652 desastres. No balanço das vítimas, além das 133 mortes, registaram-se 573 feridos graves (mais dois do que no ano anterior) e 9.998 feridos ligeiros, o único indicador que apresentou uma descida (menos 317).

Distribuição Geográfica e Impacto da Páscoa

Os números agora revelados já integram as 20 vítimas mortais registadas especificamente durante o período da Operação Páscoa. No que toca à distribuição por distritos, os dados revelam disparidades regionais acentuadas:

  • Distritos com mais acidentes: Porto (7.381), Lisboa (6.887), Aveiro (3.633), Braga (3.563) e Setúbal (3.425).

  • Distritos com menos acidentes: Portalegre (372), Bragança (408), Guarda (505) e Évora (564).

  • Maior número de vítimas mortais: Lisboa (19), Santarém (16), Porto e Leiria (14 cada) e Aveiro (10).

  • Menor número de vítimas mortais: Guarda, Bragança e Castelo Branco, com um óbito cada um.

Fatores de Risco e Resposta Governamental

O Ministério da Administração Interna (MAI) classificou os números como um "flagelo" e anunciou a apresentação, em breve, de um pacote de medidas estratégicas de segurança rodoviária. Para o Governo, a solução exige um compromisso conjunto entre o Estado, autarquias, entidades públicas e privadas, e a cidadania individual.

Apesar do investimento em campanhas de sensibilização e na melhoria das infraestruturas e veículos, o MAI identifica a persistência de comportamentos de risco como os principais responsáveis pela tendência crescente:

  1. Condução sob o efeito de álcool.

  2. Excesso de velocidade.

  3. Uso indevido do telemóvel durante a condução.

Estratégia Nacional 2030 ainda por concretizar

A Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária (Visão Zero 2030), anunciada em 2021, mantém como meta reduzir em 50% o número de mortos e feridos graves até ao final da década. No entanto, o plano ainda não foi plenamente concretizado.

Em fevereiro deste ano, a presidência da ANSR indicou que o documento, que contempla 40 medidas específicas em áreas como a fiscalização e o controlo de álcool, deverá entrar em consulta pública brevemente. Até ao momento, a ANSR não emitiu comentários adicionais sobre o agravamento da mortalidade registado neste início de 2026.