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Porto
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Investigadores da U.Porto testam em Viana do Castelo solução para proteger hospitais de ciberataques

Investigadores da Universidade do Porto (U.Porto), através do INESC TEC, e a empresa InvisibleLab iniciam esta quinta-feira, 26 de março de 2026, os testes de uma solução tecnológica inovadora para proteger unidades hospitalares contra ataques de ransomware.

Redação

O projeto, denominado Rescueware, terá como cenário de validação real a Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), que abrange os hospitais de Viana do Castelo e Ponte de Lima.

O objetivo central desta iniciativa é garantir a continuidade dos serviços clínicos, a proteção de dados sensíveis e a recuperação rápida da informação em caso de infiltração maliciosa, minimizando o risco de paralisia assistencial.

O Perigo do Ransomware no Setor da Saúde

O ransomware é um tipo de software malicioso que cifra ficheiros ou bloqueia o acesso a redes informáticas, exigindo o pagamento de um resgate para a devolução dos dados. No contexto da saúde, a dependência de infraestruturas digitais para diagnósticos e prescrições torna as instituições alvos prioritários.

Francisco Cruz, fundador da InvisibleLab e promotor do projeto, sublinha a criticidade da situação:

“Num ambiente hospitalar, onde os dados são atualizados continuamente e suportam decisões clínicas em tempo real, a indisponibilidade dos sistemas pode comprometer diretamente os cuidados. Garantir uma recuperação rápida e integral da informação é uma condição crítica para assegurar a continuidade dos serviços e a segurança dos doentes.”

Muitas destas instituições operam com sistemas tecnológicos antigos, o que as torna vulneráveis. Orlando Dantas, responsável de cibersegurança da ULSAM, refere que a participação nesta fase piloto traduz um “compromisso com o reforço da resiliência digital e da proteção dos sistemas críticos”.

Deteção Precoce e Recuperação Eficiente

O diferencial do Rescueware reside na combinação de ferramentas de deteção precoce com mecanismos de recuperação total de dados críticos. Segundo os investigadores, as soluções atuais falham frequentemente ao identificar o ataque apenas quando a informação já foi comprometida.

João Paulo, investigador do INESC TEC e docente na Universidade do Minho, explica a estratégia:

“As soluções para a deteção de ataques de ransomware são extremamente importantes, mas, por vezes, não conseguem identificar estes ataques ou fazem-no tardiamente (...). É fundamental conciliar estas soluções com mecanismos que permitam a recuperação eficiente de dados potencialmente comprometidos, reduzindo perdas monetárias avultadas para as instituições, por exemplo, evitando o pagamento de resgates.”

Formação e Financiamento

O projeto terá uma duração de três anos e não se limita à componente técnica. O programa inclui ações de formação em ciberhigiene destinadas aos profissionais de saúde, promovendo uma cultura de prevenção no manuseamento de sistemas digitais.

O Rescueware é cofinanciado pela União Europeia através do Programa Regional NORTE 2030, representando um esforço conjunto entre a academia, o setor empresarial e o serviço público de saúde para aumentar a resiliência das infraestruturas críticas nacionais.