A Banda de Freamunde celebra, este ano, o bicentenário. Já foi e continua a ser escola de muitos músicos, palco de festa e acompanhou também várias mudanças no país.

“O mundo mudou a todos os níveis, antes e depois do 25 de Abril, e a música não foge à regra. Aqui tínhamos talvez três ou quatro conservatórios e hoje quase cada concelho tem um. É tudo muito mais fácil para aprender”, lembra ao Jornal A VERDADE José Maria Queirós, membro da banda há cerca de 50 anos e atual vice-presidente da Associação Musical de Freamunde. “Tanto na qualidade da música como no modo de aprendizagem, mudou para melhor”, continua, destacando que a participação nas bandas “é um meio de aprendizagem muito bom para um músico seguir para bandas militares, orquestras, é uma forma de um músico se promover”.

Aos 69 anos, José Maria Queirós já foi contramestre, tocou fliscorne e foi também diretor e tesoureiro. Recorda-se do dia em que entrou para a banda: 14 de abril de 1966 e que percorria “dois, três quilómetros a pé, às vezes, de noite” até ao local dos ensaios. “Foi um caso espontâneo. Na altura, havia lá um vizinho meu que tocava na banda e eu gostava de o ouvir. Vinha às festas, via as bandas a atuar e gostava”, conta, em relação à entrada para a banda, para onde levou também o filho, que hoje é professor de música em Amarante e Lousada.

“Foi bom. Segui a vida de músico, toquei na banda da GNR. Foi muito bom para mim e mudou a minha vida! Foi sempre com todo o gosto e amor à banda, já que não é por acaso que continuo aqui a trabalhar com unhas e dentes”, concluiu.

Como desejo de aniversário, José Maria Queirós deseja que “a banda continue sempre e cada vez melhor” e acredita que “toda a gente está empenhada nesse sentido”.

Para assinalar esta data, a banda está a preparar um conjunto de eventos ao longo do ano, programação que vai iniciar no dia 26 de fevereiro com o concerto de abertura. “Tentamos criar da melhor maneira o bicentenário da banda”, afirma Paulo Querido, presidente da Associação Musical de Freamunde.

Nesse dia, vão ingressar na banda, composta por 70 membros, mais nove alunos jovens. Paulo Querido sublinha que “ainda há pais e avós que trazem os seus netos e filhos para a escola”. “Isso torna-nos felizes”, acrescenta.

Este é o primeiro ano que Paulo Querido está à frente da direção da associação, mas garante que a música é a sua “segunda vida”. “Sem um bocadinho de música não consigo viver. Os meus antepassados eram músicos na Banda de Freamunde e é isto que me fez ir para a frente da associação, assim como os meus companheiros de direção”, declarou.

A perspetiva agora é “acabar a escola de música” e “melhorar as condições para os alunos e músicos”.