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Sociedade
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Crimes de ódio cresceram 6% em 2025: Ministra da Justiça aponta "discurso polarizador" como causa

Os crimes de ódio em Portugal registaram um aumento de aproximadamente 6% durante o ano de 2025, revelou a Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice.

Redação

Os dados, extraídos do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), foram avançados esta terça-feira, 31 de março de 2026, durante uma audição regimental na Assembleia da República.

A governante associou diretamente a subida desta tipologia criminal ao atual clima de debate público. "Um discurso polarizador, extremado e populista só leva a um aumento deste tipo de crimes e o Governo está empenhado também em combater este tipo de discurso", afirmou a ministra, reforçando a condenação de todos os crimes de ódio.

Confronto parlamentar sobre liberdade de expressão

A apresentação dos dados surgiu em resposta a questões da deputada Cristina Rodrigues (Chega), que manifestou preocupação com o que considera ser um caminho de "criminalização de convicções políticas". A parlamentar evocou exemplos do Reino Unido e recordou o caso de um indivíduo detido na manifestação "Marcha Pela Vida" (contra o aborto), após ter arremessado um 'cocktail molotov' contra os participantes.

Perante a posição da ministra, Cristina Rodrigues acusou a tutela de estar "alinhada em ilegalizar o discurso político", classificando a postura do Governo como "grave" no que toca à proteção da liberdade de expressão.

Casos concretos e ética na comunicação política

A audição abordou ainda as recentes buscas na Câmara Municipal de Albufeira, relacionadas com um inquérito a declarações do presidente Rui Cristina (eleito pelo Chega). Em causa está a recusa do autarca na construção de habitação para a comunidade cigana durante uma reunião da Assembleia Municipal, cujas gravações foram apreendidas pelas autoridades.

Embora se tenha recusado a comentar casos judiciais concretos, Rita Alarcão Júdice deixou um recado à classe política:

"Todos os políticos devem ter um papel de consciência na forma como comunicam e devem dar o exemplo perante quem os elege."